quinta-feira, 4 de março de 2010

Leigo ou não, não tem perdão

Confesso que não sou um dos maiores entendedores de futebol no Brasil. Não só não jogo, como também, nunca usei meu tempo para aprimorar meus conhecimentos sobre. Na verdade, o que sei é simples: são onze jogadores de cada lado, fazendo a alegria de toda uma nação. É isso que eu observava nas copas de 2002 (13 anos), 1998 (09 anos), e 1994 (05 anos, ano em que comecei a me entender por gente).

O Brasil pára. As pessoas desatinam a correr buscando a televisão mais próxima. Para os boêmios, o barzinho é a melhor escolha. Já para os pais de família, estar ao lado dos filhos e da esposa; ou seja lá quem for, é também muito satisfatório. Agora, sinceramente, quando observei o último amistoso da seleção brasileira contra a Irlanda, não sei se fui só eu no Brasil todo que sentiu, mas não consegui ficar entusiasmado com partida. Às vésperas da Copa, todo jogo anunciado se desenha como mais um longo e tedioso ensaio ao que veremos.

O feijão-com-arroz proporcionado por Dunga, é o suficiente para manter um bom ritmo de jogo. Não há grandes craques. Não há o jeito incisivo de Ronaldo, as firulas de Ronaldinho Gaúcho, a bomba de Roberto Carlos, a objetividade de Rivaldo, enfim. Nenhum dos jogadores convocados por Dunga é capaz de despertar nem sequer curiosidade, muito menos aquela velha ânsia de acordar de madrugada no dia do próximo jogo.

Repito: se tratando de futebol, sou basicamente um asno. Mas assim como todo mundo, eu sei o que é um espetáculo, e com certeza, o que eu e toda a população brasileira temos visto, é um time meia-boca e disposto a jogar para ganhar todos os jogos de 1x0, se assim tiver que ser.

A voz do povo também não tem vez na seleção de Dunga. Ronaldinho Gaúcho está fora, Ronaldo Fenômeno também. Por mais que não sejam os mesmos de oito anos atrás, ainda proporcionam um espetáculo à parte quando entram em campo. Nossa confiança e entusiasmo eles têm de sobra. Agora, na minha concepção, Dunga será eternamente um personagem tímido de histórias infantis.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Irresponsabilidades à parte

Que o brasileiro tem o velho e bom costume de tripudiar em cima da própria vida, todo mundo já sabe. O problema é quando essa irresponsabilidade toma proporções gigantescas, e acaba atingindo outras pessoas. Principalmente aqueles que ainda sequer têm o discernimento para compreender certas situações.

O problema com os banhos já é antigo. Não só em questões de afogamentos, a mistura fatal de bebedeiras e jet skis, mas também da falta de atenção em relação a algo muito simples: estamos em meio a selva amazônica. Vivendo entre cobras, jacarés ou se preferir, Wallygators. A tragédia em Guajará Mirim, onde um Jacaré de quase 5 metros devorou uma criança de 11 (onze) anos pode não ser a primeira, e talvez nem a última.

Se não podemos lutar contra o ecossistema (e nem devemos), o que podemos fazer? Não é possível criar uma área de recreação com parâmetros de habitat natural sem que as pessoas precisem literalmente morrer? Com o mínimo de segurança, pessoas treinadas para realizar salvamentos em caso de afogamento, sem a presença da fauna amazônica com fome e com certeza não importe se as pessoas são responsáveis ou não? Claro que é possível.

As pessoas precisam justamente parar de pensarem que nada de ruim ira acontecer com elas, justamente porque só acontece com os outros. Todos estão passíveis à este tipo de acontecimento se fecharem pra sempre os olhos. Se até Steve Irwin, o famoso naturalista australiano especialista em animais selvagens, se encontrou com a morte após levar uma ferroada de arraia, porque não nós meros mortais que nada sabemos nem do trato mínimo com bichos domésticos? Complicado.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Blackout, filas e prisões

1º - Não dá pra entender! São 05 (cinco) dias úteis na semana e, em todos eles eu costumo sair de casa às 7:30h no máximo e retorno por volta das 18 ou 19h. Os transformadores e a rede elétrica que fornece eletricidade ao bairro São João Bosco – bairro em que resido, fazem questão de não estourarem nesse meio tempo. Chega sábado e domingo, vuolá! Bummm! O mesmo transformador, o mesmo problema, o mesmo remendo mal feito (oriundo do trabalho das empresas terceirizadas que prestam serviços à CERON (Centrais Elétricas de Rondônia). Ou seja, além do azar – já que é sempre nos arredores de onde eu moro, há ainda, total má vontade por parte das pessoas responsáveis em resolver o problema.

Nós cidadão comuns, que suamos para pagar dívidas, impostos, e que mal usufruímos dos supérfluos podemos contestar sim, e devemos.

2º - Outro problema que já não é obra do azar, é a espera nas filas dos Bancos em Rondônia. Provavelmente é assim no Brasil todo, ou na maior parte dele. Mas, aqui em Porto Velho vemos que não há comprometimento algum por parte dos funcionários dos bancos para nos fornecer o mínimo de conforto, enquanto a espera maçante acaba com o resto do nosso dia, e do nosso bom humor – se é que ainda resta humor, creio eu, que apenas a perspectiva de ter que ir até o banco, já acaba com qualquer um.

Sabemos que todos os bancos, de acordo com suas arrecadações até bilionárias, podem sim oferecer melhor estrutura física e colocar mais gente para atender, é pura falta de bom senso e respeito.

3º Quero me retratar neste tópico aqui. Por muitas vezes eu critiquei e ainda irei criticar muito as leis, também costumo criticar o sistema prisional e a própria polícia e sua eficiência. Mas hoje o dia é de congratulações. Além de recebermos diariamente vários boletins da Polícia Militar e Federal denotando toda sua eficiência na capital e em todo interior do Estado, devemos celebrar a Operação Camaleão. Foram 42 delegados de Polícia, um efetivo com cerca de 200 policiais (entre civis e militares) que cumpriram 34 mandados de busca domiciliar e 25 mandados de prisão temporária contra funcionários públicos e policiais civis e militares que compõem uma rede de estelionato (a informação é do rondoniaovivo).

Até o momento em que escrevo este texto, já foram efetuadas 19 prisões que envolveram funcionários do Detran, Correios, Policiais Militares e Civis. Então, parabéns ao corpo profissional que participou desta operação. São casos assim que lavam a alma dos brasileiros, e ainda ajudam a fazer com que acreditem um pouco mais no futuro, nas leis, e na ordem.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Entre terremotos, enchentes e a censura ditatorial, fico com a parcimônia brasileira

Planejar viagens com certeza não é o meu forte. No final do ano – época de férias, eu vou pra aonde o dinheiro me permite ir, e para aonde a vontade indica. Nem sempre é um lugar distante de Porto Velho. Minha última aventura, por exemplo, foi a 477 km de Porto Velho, mais precisamente o município de Cacoal.

Nada muito confortável ou diferente; mas de qualquer forma, também não foi nada trágico. Antes do terremoto no Haiti, das enchentes do Peru, só não antes do Chaves na Venezuela, eu e alguns amigos pretendíamos viajar para as Ilhas Margaritas, nadar no mar do caribe, e depois conhecer Macchu Picchu.

A segunda idéia já está descartada, já que o período válido para ir é exatamente quando o pau d’água começa por lá. A idéia de ficar ilhado esperando resgate não é de todo ruim, adiar o retorno, faltar trabalho, mesmo que passando dificuldades é bem coisa de brasileiro, e eu me encaixo perfeitamente.

Na Venezuela precisamos entrar mudos e sair calados, sob pena de sermos enxotados, espancados, mortos ou até mesmo cancelados pela ditadura Chavista. Eu não tenho nada contra o Chaves além do que todo resto do mundo têm.

Eu tenho mais raiva do meu representante cujo apelido é a denominação popular de um molusco. Além de compactuar com Chaves, botar panos quentes no que vêm acontecendo e andar de mãos dadas por colheitas usando chapéu de agricultor ao lado de um facínora sorridente, não faz a mínima diferença para ele se isso acabar por nos atingir, remontando épocas negras que já açoitaram o povo brasileiro.

Por isso, no final das contas, entre tragédias naturais e cala-bocas ditatoriais, eu prefiro a parcimônia brasileira. Já que admitimos e aceitamos por nos resignar, por que então alardear o inevitável? O que podemos fazer é ficarmos longe dos problemas que cercam outros países, outras pessoas, outras culturas, enfim. Nós não temos nada que ver com isso, não é mesmo amigo (a) brasileiro (a)? Aqui não é muito diferente. Nossos terremotos e enchentes são diários. As casas caem no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Os prefeitos viajam de helicóptero para dar entrevistas nos locais das tragédias. E o que se faz? Absolutamente nada. A imprensa quando manifesta apoio ao Governo Lula está representando bem o seu papel, segundo ele próprio. Quando critica, está usando seu poder para denegrir sua imagem.

Será que o incômodo casual de nosso presidente representa a infecção do nosso país pelos novos ditadores da América Latina, que fizeram intensivão com Fidel e cia? Veremos, muitas águas vão rolas, muitas casas vão cair, e chãos irão se abrir até vermos em que vão o nosso próprio país irá cair. É só uma questão de tempo.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O Brasil também é o país dos trogloditas

Se existe algo de repulsivo no ser humano, e principalmente no homem, é a covardia. Mas, atitude mais covarde do que se esconder atrás dos próprios impulsos, é dar vazão a eles, e colocar em prática os seus ímpetos desumanos.

Estes homens covardes gostam de açoitar mulheres; de espancá-las e maltratá-las. E o que mais deixa o povo perplexo é a falta de vigilância em relação a um problema que há muito já pode ser considerado epidêmico.

“A mão que afaga é a mesma que apedreja”, não se pode traduzir Augusto dos Anjos literalmente, mas se há um significado objetivo para contextualizar tal situação, pode-se contar com a frase embutida no poema “Versos Íntimos” do escritor paraibano.

A desculpa para matar e para viver? O amor. Se já não é o bastante o perigo que representa um ex-marido ciumento e alucinado – principalmente se este nunca aceitou o fim do relacionamento –, o que não representaria um pedido da vítima para sua própria proteção? Se a polícia é acionada, afasta o sujeito momentaneamente, mas basta a viatura policial virar a esquina, e lá esta o meliante novamente, armando o próximo ataque, mancomunando sua covardia.

Lembro que uma das primeiras matérias que escrevi trabalhando no O OBSERVADOR foi pautada em casos de violência doméstica contra as mulheres. Em julho de 2009, entrevistei a delegada titular da Delegacia Especializada em Defesa da Mulher e Família, Edna Mara que em dados superficiais, disse que são no mínimo 06 (seis) mulheres agredidas por dia só na capital.

Na época, a delegada já afirmava:

“- A porta de entrada da violência é a delegacia. E, é apenas o começo. O agressor continua sendo agressor, e a vítima continua sendo vítima. Cada um com suas características. O que precisa ser feito é um tratamento nesses agressores, algo como uma própria reabilitação para que possam conviver novamente com outras mulheres. Existem casos em que o homem comete o mesmo delito, mas a vítima é diferente”.

Ou seja, a recuperação tanto do agressor, quanto da vítima, deveria passar por uma série de tratamentos. Uma verdadeira reciclagem, mas isso é utopia, quando se pensa que nem o que deveria ser feito preliminarmente, por exemplo: o simples cumprimento de uma ordem judicial é efetivado.

Não há interesse político e nem social de fazer com que as determinações da justiça sejam cumpridas. Se há separação de corpos, não há quem fiscalize que ele seja sumariamente respeitado. Afinal de contas, despacho em papel não tem olhos, nem braços, nem armas, e por isso é desdenhado.

Apenas aquele clamor passageiro, a ladainha de sempre que se fala quando acontece uma tragédia de grandes proporções. Mas nós temos memória fraca, assim como vamos esquecer do Haiti em breve, como esquecemos do Collor, da Isabella Nardoni, do João Hélio, e de tantos outros casos que de supetão nos interessam e logo mais perdem o glamour "midiático" e evaporaram no esquecimento.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Um humilde pedido para quem já sofreu tanto

“ – Parece que da balsa pra cá, simplesmente não existe”. A frase é do empresário e ex-deputado estadual pelo Acre, Valdomiro Sóstenes, ao falar sobre a energia elétrica que não chega onde e como deveria chegar. Mas, para falar a verdade essa é só uma das mais de mil situações em que a população da Ponta do Abunã precisou aprender a conviver para levar uma vida relativamente normal.

Para se ter idéia do que os moradores da região passam, não adianta ler jornais, ouvir nas rádios ou ver na televisão. É preciso ir para lá, e estar frente-a-frente com os personagens que ajudaram a desenvolver cada centímetro dos distritos que formam a Ponta do Abunã.

Existe unanimidade no depoimento de praticamente todo cidadão entrevistado, seja ele empresário, trabalhador braçal, ou dona de casa: É difícil o acesso a bancos, correios, falta distribuição de energia elétrica, torre de celular e o puro e simples esquecimento das autoridades públicas já fazem jus à movimentação e a determinação das pessoas que lutam pelo “SIM”.

Como negar um pedido de um povo fadado ao esquecimento? Andar mais de 300 km para resolver problemas burocráticos duas vezes por semana além de um desgaste físico tremendo, somam-se todos os riscos que acarretam a travessia via BR-364, e o povo deixa de ganhar dinheiro. Segundo André Aparecido dos Santos – sócio da madeireira Abunã Madeiras, uma ida ao centro de Porto Velho representa três dias de trabalho perdidos, e um gasto de no mínimo R$ 500,00 por pessoa.

Outro personagem interessante é o Zé Gaúcho. Ele é morador de Extrema, mas peregrina durante quase 24 horas a Ponta do Abunã inteira tentando convencer a população a votar no 55 e confirmar, representando assim, uma vontade que pode até ser da maioria, mas ninguém ainda fez esforço que representasse tal querer.

O plebiscito acontecerá no dia 28 de Fevereiro, e todos os portovelhenses deverão votar pelo mérito. Lembrando que pela última vez, um distrito poderá se emancipar através de plebiscito, já que o objeto já tramita há muito tempo.

É a chance que a população de Fortaleza do Abunã, Vista Alegre, Extrema e Nova Califórnia terá de se tornar independente, de produzir e compartilhar, de ter chances de evoluir. É uma condição que todos nós deveríamos ter, e os que têm deveriam se compadecer e levar esse tipo de informação adiante.

Eu voto “SIM”, o povo sofrido e trabalhador da Ponta do Abunã merece ter perto de suas casas tudo aquilo que nós podemos desfrutar. Se não podemos tentar melhorar o mundo sem sermos convocados, eu espero sinceramente que cada um contribua com isso em sua pequena parcela de obrigação.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Incapaz?

“Eu não posso”, “eu não consigo”, “eu já perdi”, “não me resta mais o que fazer”, entre outras frases célebres entre os declarados perdedores, ecoam na cabeça das pessoas que enfrentam suas primeiras dificuldades e fraquejam. Eu não gosto de qualquer tipo de texto de auto-ajuda, acho que eles vão completamente na contra-mão da funcionalidade; todavia, existe uma história real em particular que vale a pena ser contada exatamente para uma finalidade motivadora.

Le Scaphandre et le Papillon (O escafandro e a borboleta) filme europeu dirigido por Julian Schabel e com roteiro baseado no livro de Jean-Dominique Bauby – editor da revista francesa Elle – e protagonista do filme, tira a idealização da “pena de si mesmo”.

Aos 43 anos Jean-Do (como é chamado pelos amigos mais próximos) sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) enquanto andava de carro com seu filho, ficando em coma por aproximadamente vinte dias. Ao acordar, a junta de médicos designada para cuidar de seu caso, constata que ele está em uma condição de enfermidade rara: a síndrome do locked-in.

A síndrome de Locked-in faz com que os pacientes permaneçam cientes e despertos, mas incapazes de se mover ou de se comunicar dada a paralisia que atinge praticamente todos os músculos voluntários do corpo. Esta condição é resultado de uma lesão no tronco cerebral na qual a parte ventral da ponte é danificada. A síndrome de Locked-in é descrita como "a coisa mais próxima de ser enterrado vivo".

Mesmo assim, com a ajuda de seus médicos que utilizaram uma técnica de comunicação até então nova, Jean-Dominique começou a se comunicar piscando uma vez para toda letra que quisesse usar e que fosse pronunciada pelo seu interlocutor, formando frases e fazendo com que Jean, dez dias antes de sua morte, visse a capa de seu livro pronto, conquistado com muito suor e descrevendo não só o sofrimento, mas a beleza de poder usar a extensão máxima de sua imaginação.

E aí, será mesmo que você não consegue nada? Será que é impossível ir mais a frente? Não se sabe o quão bem se está, até estarmos nestas condições limitadas, mas ainda sim, podemos concebê-las ao ler, ver e ouvir relatos como estes. Você realmente é incapaz?

Vinicius Canova Pires
viniciuscanova@live.com