segunda-feira, 16 de agosto de 2010

CRÔNICA: Realidade II

Às vezes me bate a insônia. Ok, tudo bem, é normal. Muitas pessoas têm insônia, não? Mas o estranho, é que a maioria delas são operários-padrões, que tem de acordar todos os dias cedo, e labutar. Nada mais a dizer, com exceção dessa ressalva. O normal nesses casos seria eu levantar, ir até a geladeira, encher um copo de leite, acender um cigarro, e tentar aos poucos voltar a dormir.

Nada, não desta vez. Mudando um pouco do plano padrão aos casos de falta de sono, ligo a televisão em busca de entretenimento barato; filmes dublados, ou qualquer outra coisa que eu já tenha visto tantas vezes, que ao menos por nostalgia possa me alegrar, acalentando, até que enfim, eu consiga dormir. Mas, ao invés de achar qualquer coisa do tipo, me deparo com uma espécie de cartel bíblico.

Não importa o canal, a cena é sempre a mesma: um sujeito, um livro nas mãos, um público fiel, falatórios, gravata, e charlatanismo.

O mais legal disso, é que mesmo que você não seja religioso, e que tudo aquilo que esteja sendo dito seja em sua opinião, um monte de besteiras cuspidas, ao menos as performances dos pastores lhe atraem. Ah, e como atraem!

O meu assunto favorito é o apocalipse. Sempre lembrando que meu conhecimento bíblico é extremamente superficial. Mas quem nunca ouviu falar no fim do mundo: as bestas do apocalipse, Lúcifer, e toda aquela galera malvada que vai sair da terra e puxar os de comportamento ruim pra junto deles?

No final, não é tudo tão ruim. A carga de energia que eu gasto na hora que o pastor pede para os fieis sacaram de seus bolsos talões de cheque e entregarem no altar, me faz cair no sono como se eu tivesse levado um soco daqueles bem fortes e certeiros no rosto.

07:30. Hora de acordar. Remela nos olhos, bafo desproporcional, preguiça dos diabos, e todo um roteiro a ser seguido em menos de meia-hora.

Hoje não vai dar pra tomar café em casa, tem que ser na rua, e rápido. Paro na padaria na esquina do trabalho, olho ao redor e encontro o cara mais chato da cidade: o Ítalo. – Meu Deus –, penso. – É hoje...

Vou explicar o desanimo. Com certeza alguém conhece no mínimo algum leitor de Paulo Coelho. Pois é. Mais detalhes? Tá certo. O Ítalo Gusmão é engomado; engravatado, postura em 90º, se auto-intitula erudito, e gosta muito, mas muito mesmo, de encher o saco.

De dez livros que ele me indica, nove são de autoria do Paulo Coelho, e um deles, do Augusto Cury. Eu não sei quanto a vocês, mas eu com certeza creio que essa é a receita perfeita pro suicídio.

Pra piorar, ele tem no seu quarto um quadro enorme do Tony Belotto, e a série completa do tal do Bellini, personagem-título de seus livros. Credo!


Resumindo: Ítalo Gusmão é a personificação do mau gosto, e é o tipo de pessoa que quero bem longe de mim. Além de tudo, convenhamos: puta cara chato, né ?

Consigo me desvencilhar dele, corro pro trabalho e chego atrasado.

A pergunta é inevitável: - Atrasado, de novo!?

Beleza, também é natural levar uma escroteada de vez em quando.

Começa então, uma emocionante tarde, com ações que variam de sentar na cadeira e escrever, levantar e buscar café, ir pra fora e fumar cigarros. Todos os malditos dias.

Às vezes reclamo das visitas: representantes de sindicatos de todos os tipos, associações, políticos perdedores e os de carreira. De fato, nenhum deles me empolga. Mesmas mentiras, caras e bocas, interesseiros, e sem retorno financeiro.

Mas também tem o lado hilário disso tudo. Quem tem boca fala o que quer, mas eles exageram nas doses, e os alvos somos nós, que somos praticamente obrigados a ouvir. Às vezes dou indiretas bem diretas, interrompo discursos colocando minha playlist pra tocar no volume mais alto, desvio o olhar, finjo estar longe, até que a pessoa se toque, e pare de falar.

No final do expediente, bolsa nas costas, caminho longo pra casa, a pé.

Paro na farmácia pra comprar analgésicos e relaxantes musculares. No fim do dia, já moído, é normal estar com as costas travadas. Encontro a Joana, farmacêutica, bonita e atenciosa que sempre me alerta a possíveis alterações no meu cérebro de tanto tomar remédios. Por incrível que pareça, a adoro. Uma mulher chata, que ao menos tenta me alertar sobre a minha saúde, mesmo que não tenha aprendido em quase um ano, que os alertas a esse respeito, não surtem efeitos em mim.

Ela me atrai. Mas meus pensamentos pecaminosos sempre me levam a um trágico momento de reflexão, cujo único objetivo é projetar os momentos dolorosos do pós-coito.

Fico pensando: - Malditos cientistas. Cadê a porra do tele-transporte?

Então, para evitar possíveis infortúnios, conversas esfarrapadas, e gastos desnecessários, ao invés de lhe dar uma cantada, e a convidar para ir à minha casa, dou de ombros, e saio da Farmácia. Sozinho, de novo, com muito chão pela frente, muitas idéias na cabeça, e o peso do mundo em minha consciência.

Pensar de mais é um problema pra qualquer pessoa. Todos sabem que toda a ação tem uma conseqüência, mas nem sempre elas são ruins. Pra mim, invariavelmente, mesmo descrendo da fé dos outros, e não havendo minha própria fé, acredito em algo abstrato. Aliás, duas coisas abstratas: sorte e azar. Minha explicação é razoável até certo ponto.

Coisas do cotidiano não costumam dar certo pra mim. Por exemplo: se eu perco um dos meus tênis e demoro a encontrá-lo, depois de muito tempo, quando o encontro, noto que também perdi o meu relógio.
Se chego a um restaurante com vontade de comer frango, a garçonete me avisa que infelizmente só estão servindo bife. Se eu vou ao cinema e quero ver filmes de ação, a sessão já está lotada, e a única opção é o dramalhão mexicano de diretor desconhecido.

Antes de chegar em casa, entro na tabacaria como de costume, e peço:

- Um Marlboro vermelho, por favor?

E o atendente me diz:

- Só temos Derby cinza.

Viu? Então, se alguém pergunta se eu acredito em algo, e se tenho em que me apegar, não tenho outra escolha se não responder que sou crédulo do azar.

Chego em casa, paro no portão, retiro as correspondências e voilá: contas de energia, água, banco, telefone e TV por assinatura.

Mas, não fico triste, nem com raiva, e muito menos apreensivo. Tudo se resolve, e eu já me sinto bem confortável com essas situações do dia-a-dia. De manhã cedo comprei um litro de leite para tomar a noite. E a idéia de me saciar com um copo bem gelado daquele saboroso líquido me movia feliz até entrar em casa.

Antes de abrir a porta, meu vizinho sobe o muro e diz: - Olá vizinho, faltou luz a tarde inteira, rapaz. Tá complicado aqui, só voltou agora. – puxa assunto.

Já senti que ele vai me pedir alguma coisa, afinal de contas, não tenho nenhum motivo pra conversar com ele, e ele também nenhum motivo pra me alertar sobre as coisas do dia a dia.

- Tem como me arrumar sabão em pó e um pouco de arroz pra janta? - pede.

Eu, sem muito que poder fazer, e também pra não parecer tão pão duro, lhe dou o que me pediu e finalmente posso voltar a pensar no leite:

- Ah, agora é minha vez de me divertir.

Abro a geladeira, pego a faca, corto bem devagar a embalagem do leite. Pego o meu melhor copo, e o encho até a borda.

Antes de beber, quando se aproxima da minha boca, sinto um cheiro estranho, de mofo, e penso: - Deve ser do sofá, ou das paredes da casa.

Quando engulo, sinto a fatalidade: além de o leite estar quente, por ter passado a tarde inteira no refrigerador sem energia elétrica, ele também azedou, e mofou.

Essa é minha segunda dose de realidade diária, que eu chamo de: o azar como amigo.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

CRÔNICA: Realidade

Quando eu acordo, não posso esquecer de escovar os dentes, pentear os cabelos, fazer a barba e cuspir resíduos de cigarro que fiquei pigarreando a noite inteira. Entro no box do banheiro, olho o meu pinto murcho, dou risada, acho tudo engraçado, falta tesão, falta ereção, mas não falta humor. Meia hora de água caindo na cara. A higiene aqui não conta. Na verdade, só o que conta é o prazer que eu sinto ao notar que minha mente foi pra outro lugar, bem longe, incolor, inodoro e imensurável. Quando volto, lembro que não tenho poço artesiano, e que há muito tempo pago contas exorbitantes de energia elétrica e água. Eu não sou rico, eu sou pobre, um pobre coitado, que não pode esquecer de uma outra coisa muito importante antes de sair de casa.

Ao abrir a geladeira, vejo uma cebola cortada ao meio e uma garrafa d’água já pela metade, parece gelada, mas só parece. Sinto o cheiro de queimado, olho atrás da geladeira e confirmo: queimou. Mas não ligo. É só mais um gasto, eu já estou gasto, o mundo está gasto, e o bolso está escasso. Além do mais, o cheiro me faz lembrar comida – mesmo que seja queimada –, e nada melhor que comida queimada, com um copo de pinga, com dois dedos da boa, pura e velha realidade.

Não dou importância, não sigo frases de filosofia, e não vivo um dia de cada vez. É tudo monótono, mas ao mesmo tempo tão engraçado. As pessoas riem de mim; elas dão risada porque vêem os pombos cagar na minha cabeça, ou porque os carros passam na água e me molham enquanto ando na calçada. A Polícia ri de mim; ela ri porque sou certinho, mas gravei alguns cd’s e esqueci de pagar aos autores seus devidos direitos autorais, e os deixei no carro: fui preso. As crianças riem de mim; eu sou corcunda, meu ombro esquerdo é mais abaixo do que o direito, e elas estão acostumadas com pessoas perfiladas, não só com os seus corpos, mas com as pessoas em sua volta.

As mulheres riem de mim. Minhas olheiras, falta de dinheiro, de vontade, de libido, me tiram qualquer chance de ter sucesso com elas; mas elas riem de mim, caçoam de mim, e no fundo, me adoram. Por que me adoram? Porque eu ainda perco meu tempo exaltando suas qualidades. Elas gostam disso. Mas o prazer morre na falta de dinheiro.

Não ser notado é maravilhoso. Eu gosto disso. Aliás, essa seria a idéia de vida perfeita para mim. Mas como já disse anteriormente, mesmo que com uma conotação ruim, as pessoas, a Polícia, as mulheres e crianças não me deixam em paz. Alvo. Essa é a palavra. Os outros não gostam de ver que eu ando em dissonância em relação ao mundo. Gosto de atravessar a rua devagar. Isso causa revolta nos motoristas: eles querem mostrar o quão poderosos são com suas máquinas carburadas, então eles aceleram pra ver se eu apresso o passo, mas nunca apresso. Por sorte, ainda não morri.

Eu não sei qual é a relação que tenho com o restante do mundo. Minha indiferença causa espanto nas pessoas, e esse espanto se torna raiva, ou qualquer tipo de aversão. Só sei que não gostam de mim.

Quando vou pra faculdade, muito, mas muito do mais do mesmo: os estudantes do meu curso, o Direito, a partir do 3º período, desfilam nos corredores da Universidade. Todos eles, praticamente sem exceção, andam engravatados, com seus Vade Mecum na mão, com olhar de superioridade, e esquecendo o detalhe mínimo, de que a maioria deles sequer irá finalizar o curso, e que são assim como a maioria da população mundial, grandes perdedores em potencial. Mas claro, com elegância.

Isso me remete ao processo fúnebre. Qual a motivação de enterrar alguém de terno e gravata? Pelo que me consta, ainda existe uma maioria populacional que carece de comida e vestimenta. Para manter tradições, e para respeitar o corpo desalmado – que irá apodrecer no máximo em um mês, completamente –, veste-se o morto de cima a baixo, caracterizando-o, e fazendo com que chegue aos portões do céu com boa aparência. E como seria isso? Relativo a uma entrevista de emprego? Não sei, é cada uma...

Ao voltar pra casa, o cheiro de queimado já se alastrou por todos os cômodos. Já estou sem fome. Estou gripado, meu nariz tampado, e como o paladar é feito 90% de olfato, me livro de ter que pensar no que eu poderia estar comendo, e não posso.

Aí tem a cama. E claro, o teto. O teto do meu quarto é o que tenho de mais emblemático na minha vida: ao acordar, o vejo e antes de dormir, também. Algumas coisas mudam, assim como nos seres humanos. Mas a não ser com toques de remodelagem, eles tendem a ruir, criar fissuras, e alguns casos – principalmente os mais envelhecidos – até cair.

Como penso muito nisso, os meus sonhos são feitos basicamente de metáforas análogas ao meu teto. Morro de tédio; não bebo mais. O cigarro ainda é meu amigo, mas ele também é infiel, pois me deixa só quando falta dinheiro. Penso: - Mulheres e cigarros, me deixam saciado por 10 ou 15 minutos, enjôo, mando-os embora, e menos de meia-hora, os quero de volta. Enfim, vícios inerentes à minha existência.

Fecho os olhos. Demoro muito a conseguir dormir, e enquanto isso eu penso no dia que passou, mas nunca penso no dia que vai vir. Não adianta criar conjecturas sobre o futuro. As pessoas sabem que um dia, o mundo irá acabar. Isso sim é realidade e sólido. Mas e o resto? O resto na verdade, é o espaço que é preenchido entre o início da sua vida e o fim do mundo. O engraçado disso, é que se espaço foi feito para ser preenchido, como então muitas pessoas preenchem sua vida de solidão? Não dizem que a solidão é vazia? E como é ser cheio de vazio? Taí outra coisa que não entendo.

Pra deixar a situação ainda pior, meus sonhos são assim como minha vida, muito monótonos. Não há gnomos, nem viagens astrais. Não há volta ao passado, nem a oportunidade de ser outra pessoa. Não tem prospecção ao futuro, nem auto-análises frutíferas; e são inveriavalmente escassos de entusiasmo.

No final, tudo se repete: essa é a minha dose diária de realidade.

VINICIUS CANOVA PIRES

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Estados Unidos da América contra John Lennon

Os beatlemaníacos com certeza se entristecem ao relembrar o dia 8 de dezembro de 1980. Entretanto, os que não nasceram na época, e nem contemplaram a magnitude do grupo inglês, também sentem um enorme baque. Isso porque, historicamente, os Beatles traçaram um linha imaginária na música: antes, e depois deles.

Todos com seus respectivos talentos singulares, foram durante décadas, e ainda são, os pilares de sustentação pra qualquer pessoa que tenha um bom gosto musical, e claro, paixão pela vida.

Alguns ainda atribuem o desmanche dos Beatles à entrada de Yoko Ono na vida de Lennon, fazendo-o rumar para outros campos culturais, despontando em carreira solo, e principalmente, por se envolver cada vez mais nas questões políticas do mundo. No caso, dentre todas as suas críticas, era mais enfaticamente contra a Guerra do Vietnã, cantarolando votos de paz e amor ao mundo todo.

Nesse caso eu discordo da maioria. No fim das contas, Ono completou John Lennon. Ele era a própria letra de suas músicas, ela no entanto, era todo o resto, da harmonia até a genialidade.

John Lennon bateu de frente com Nixon. O único Presidente do Estados Unidos à renunciar ao seu cargo por denúncias comprovadas que o desmoralizaram e que o marcaram historicamente como protagonista do caso Watergate.

Todavia, apesar da descoberta, e da saída estratégica de Nixon, é impossível dizer que o republicano não exercia um poder enorme sobre os Estados Unidos da América, tendo em seu percalço, somente a sombra de uma juventude que se rebelava, justamente contra a guerra. A voz que se levantava contra o sangue derramado e as milhares de vidas jogadas fora de forma desnecessária, num enfrentamento considerado por muitos historiadores, uma causa ridícula e até mesmo inexistente, era o único modo de protesto válido e eficaz.

O ex-líder dos Beatles era uma ameaça ao Governo americano, que ia perdendo o seu prestígio à medida que as pessoas paravam para ouvi-lo cantar Give Peace a Chance, e principalmente, quando as pessoas sentiam que a mensagem que a música passava, deveria ser levada no mundo todo, cantada em uníssono para que todos pudessem ouvir.

Senadores, o próprio Nixon, e até o FBI decidiram que era hora de dar fim à influência que Lennon – o pacifista –, exercia sobre os jovens norte-americanos. Essa decisão teve que ser tomada com caráter emergencial, principalmente, depois que John Lennon conseguiu libertar através de sua música, o ativista John Sinclair, que fora preso e condenado a dez anos de prisão, por portar dois baseados.

Começou assim uma batalha intensa que durou cinco anos. A imigração queria deportar John Lennon, usando o argumento pífio de que a sua vida pregressa o vinculava com narcóticos, e os Estados Unidos da América não tolerariam esse tipo de imigrante em sua própria casa.

Enfim, a guerra acabou, o filho de John Lennon e Yoko Ono nasceu, e eles gozaram – mesmo que por muito pouco tempo – o melhor que a vida tem à oferecer: paz, tranqüilidade e sucesso.

No dia em que o músico foi assassinado, as pessoas se reuniram em todo o mundo para cantar “Give Peace a Chance”, e para muitos deles, a partir dali, John Lennon havia deixado de ser única e exclusivamente um artista de sucesso, para tornar-se também um pilar da conscientização humana, sempre ponderando pontos em prol da paz, e usando de forma consciente a sua fama para dar no futuro, dias melhores para o mundo.

Vinicius Canova Pires

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Cabeça de gordo

Acho que eu nunca escrevi sobre esse tema. Não sei se inconscientemente discrimino a situação, ou se eu quis deixar pra trás essa fase da minha vida, digamos assim: nada feliz.

Em 2004, com quinze anos e estrondosos 127 quilos (é isso mesmo), tive que optar pela cirurgia bariátrica para salvar a minha pátria, e talvez a sanidade dos meus pais.

Crianças com tendências à obesidade vivem numa maratona medicinal que inclui: médicos (endocrinologistas principalmente), psicológicos, nutricionistas e demais profissionais do ramo. Não é o meu caso, mas há quem tente também evocar as forças do “além”, mas é claro, não deve dar muito certo.

Voltando ao ano de 2004: numa incursão um tanto quanto arriscada para uma “criança”, decidi firmemente fazer a cirurgia, e desde então, minha vida mudou muito, e pra melhor. Opa, melhor?

Chegamos à parte sensível deste tema: um pré-adolescente de quinze anos, com certeza ainda não passou por ¼ das experiências que a vida proporciona, tanto para o bem, quanto para o mal, por isso é imprescindível o acompanhamento psicológico (isso mesmo, de novo).

O grande problema para a maioria dos obesos, ou das pessoas acima do peso – e ascendendo –, é a tal da ansiedade em demasia. E essa ansiedade é tão prejudicial e perigosa quanto o próprio procedimento cirúrgico em si.

O estomago reduzido pela metade, ou às vezes, muito menos do que isso, não agüenta receber grandes quantidades de alimento, mas a cabeça, não lhe deixa exercer o papel de fiscalizador de suas próprias atitudes; daí o risco.

Não existem remédios, milagres ou intercessão religiosa quando não temos a capacidade de nos controlar. Por isso, Cid Penteado Jr. é meu ídolo pessoal quando o assunto é cirurgia de redução de estomago.

Cid Penteado Jr. foi minha grande inspiração: chegou a pesar 300kg, fez a cirurgia, passou por uma reestruturação na sua vida, e hoje mantém o portal http://exgordo.com.br, que foi para mim - e para tanto outros -, a enciclopédia de informações em 2004, quando fiz a opção.

“Ex gordo”, não sei se foi Cid que inventou o termo, mas ele é extremamente oportuno quando se fala de pessoas que já foram obesas e hoje, atingiram o seu peso ideal.

No seu portal, Cid tem uma explicação própria para isso, e bate diretamente com a idealização que faço sobre o mesmo tema. Não somos magros, magrinhos, buchudos, nem magérrimos. Somos Ex Gordos, o estomago é reduzido, mas a cabeça continua a mesma, os cuidados e precauções devem nos deixar antenados 24h.

“A cabeça do gordo” é e será eternamente indisciplinada. Não há métodos de controle sobre isso, e nem sequer remédios tarjados com o mais negro invólucro.

Fiz a cirurgia de redução de estomago, voltei a engordar - não tudo, é claro -, e faço um alerta a todos que acham que a vida é resolvida com golpes de bisturi e pílulas farináceas: controlem-se.

Essa postagem é em homenagem a Cid Penteado Jr., brasileiro, determinado, e que chegou aonde queria chegar: http://exgordo.com.br


terça-feira, 13 de julho de 2010

Em cima do muro

Eu sou apolítico” – essa é uma frase que costumo ouvir bastante por aí, principalmente hoje em dia, tempos em que o jovem, utilizando o advento da internet e o inconformismo causado pela puberdade, dá vazão a uma raiva inexistente e esboça o clima de “odeio a tudo e a todos”, em pleno século XXI.

Em minha opinião, essa frase nada mais expressa do que uma metáfora coloquial que deixa claro que essas pessoas não têm opinião. Existem também aquelas que têm, mas não sabem expressá-las, ou não têm coragem de defendê-las, muitas vezes, por puro comodismo.

Na política, não são raros os comentários e os posicionamentos difamatórios em relação aos políticos, eu concordo com as críticas, mas tudo tem um jeito de ser feito, ponderando opiniões, argumentando e dialogando. Eu inclusive, por diversas vezes, critiquei – claro, sem generalizar – os políticos de carreira que nada fizeram, nada fazem, e nada farão, a não ser é claro, que essa atitude ajude a engordar seus próprios bolsos.

É fato, é real, é incontestável. Mas e aí, caro leitor: ao invés de buscar soluções, pesquisar uma forma efetiva de como mudar este quadro – que pelo que me consta, ainda não é irreversível – a maioria dos apolíticos (em cima do muro) se escondem atrás de ofensivas e depredações de prédios públicos como Assembléias Legislativas, Palácios do Governo, Câmaras de Vereadores, enfim.

Esse tipo de protesto anárquico tem como principal motivação a demonstração do lado bestial do ser humano, que o faz esconder o seu lado intelectual, pensante; o único determinante para que as mudanças aconteçam.

Pela primeira vez, aos 21 (vinte e um) anos, estou escolhendo um candidato para apoiar, principalmente porque tive chance de conviver com ele durante 1 (um) ano inteiro, ponderando qualidades e defeitos. Everaldo Alves Fogaça, ou simplesmente Fogaça como é conhecido no meio da imprensa, é jornalista, empresário e bacharel em Direito, formado em Rondônia. Algumas pessoas podem desdenhar: - Grandes coisas! Claro, é normal do ser humano fazer isso. Antes as críticas, depois as apresentações.

Mas o desdém só viria das pessoas que claro, não conhecem as suas raízes, e o quanto foi preciso lutar e abdicar da vida para chegar aonde chegou. Na infância, Everaldo não tinha outra diversão, se não, o próprio trabalho.

A inquietação causada pela vida monótona e humilde em Ministro Andreazza – até então, ainda distrito da cidade de Cacoal – fez com que saísse cedo das asas dos pais e fosse se aventurar no mundo, se dedicando exclusivamente ao trabalho. Quem o conhece, sabe que ao acordar pela manhã, e até pouco antes de dormir, a preocupação em trabalhar cada vez mais, o motiva a lutar pela causa justa das pessoas menos afortunadas do Estado.

E, foi através da imprensa, pelo jornal O OBSERVADOR que Everaldo Fogaça deu os primeiros passos para tornar o Estado de Rondônia um lugar melhor, fiscalizando, denunciando e elogiando quando lhes cabiam elogios, os políticos e funcionários públicos que fizeram e fazem parte da Administração Pública de Rondônia.

Entretanto, a minha experiência pessoal me permite fazer um adendo em relação a algo que considero de suma importância: a oportunidade. Provavelmente Everaldo Fogaça nunca tenha encontrado uma porta escancarada em sua frente, e suas chances para crescer na vida dependeram unicamente do seu esforço integral, da sua força de vontade e capacidade.

Por causa dessa dificuldade que encontrou no mundo, Everaldo Fogaça desde que o conheço, recebe seja quem for de braços abertos: para ouvir, para entender, incentivar e alguns casos, até dar chances.

Esse foi o meu caso. Uma mão na frente, e outra atrás. Fogaça me recebeu assim pela primeira vez em seu escritório, na época em que eu procurava desesperadamente um emprego, uma chance, uma oportunidade única de dar seguimento ao amor que tenho por escrever. Baseado apenas em meu blog na internet, recebi de Fogaça o seu aval para começar a trabalhar no mesmo dia, e cá estou eu, um ano depois, trabalhando no que considero um grande veículo de comunicação de utilidade pública, o jornal eletrônico O OBSERVADOR.

Somando a vontade de trabalhar provada pela sua história de vida e as oportunidades que Fogaça faz questão de conceder – desta vez, comprovada pela minha história de vida –, deixo claro que nessas eleições eu não estou em cima do muro: meu voto é pelo meu amigo Everaldo Fogaça Nº 65 789.

Blog Oficial da Campanha: http://www.blogdofogaca.com.br

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Da lambança ao chiqueiro

O homem ainda é um atrativo para humanidade, mesmo que, no íntimo de cada um de nós, já se possa antever as atitudes da maioria deles em relação à “N” assuntos. Movido basicamente à libido e instintos naturais, o gênero masculino continua dando ênfase a essa previsibilidade, e cometendo ainda, os maiores absurdos da história de humanidade, mesmo com históricos que não representam bons índices de sucessos.

Mulheres. Ah... as mulheres. Por que tantos homens caem nas graças delas, fazem o que querem, lambuzam-se, servem-se, obtém o máximo de prazer, e acham que a contrapartida não existe?

O caso do goleiro Bruno é só mais um caso, entre milhares no Brasil e no mundo. A prepotência, arrogância e os instintos primitivos do homo-sapiens, fazem com que os homens esqueçam da sua função social, das leis que existem no país, e principalmente, que as mulheres hoje, já não mais dependem deles.

Eliza Samúdio, usada à vontade pelo arqueiro flamenguista, deu o troco, engravidando e criando um vínculo que perdura para a vida inteira. Ela, não mais seria “mais um caso” de Bruno, seria enfim, a mãe de um de seus filhos. Quer queira, quer não: deveria ter o mínimo de respeito.

Se foi amor, paixão e necessidade, ou mera capacidade de aproveitamento por parte de Eliza, não se sabe. Sabe-se que o enredo real trata-se de uma história de traição, de envolvimento, e agora provavelmente, de morte.



Na comprovação da culpa de Bruno, haveria uma explicação: a palavra pensão para um homem despreparado e afim apenas de um festejo momentâneo, seria como citar Adolf Hitler aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Estragar um relacionamento estável, uma carreira promissora e uma imagem de respeitabilidade perante a sociedade causou em Bruno o furor; a necessidade de evitar que esses pensamentos desagradáveis se tornassem realidade.

Não é o primeiro, e nem será o último caso em que um homem tentando conter danos, acaba fazendo dez vezes pior. Principalmente porque é nessa hora que as coisas tendem a ruir. Quando ele dispensa ajuda de qualquer pessoa, ficando à mercê de uma responsabilidade enorme, cujo conhecimento prévio deveria ser administrado de forma eficaz, evitando assim, a tragédia que provavelmente será anunciada nas próximas semanas.

Se ele matou ou não, não sabemos. O que sabemos é que o cerco está fechando, e o caso ainda será resolvido provavelmente logo.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Linhas sutis que nos definem

Inúmeras foram às vezes que declarei neste espaço a minha aversão à auto-ajuda. Vou me contradizer hoje, e tentar esboçar algumas coisas referentes ao humor, que é o que dá vazão a centenas de pensamentos desagradáveis, ou soberbos, oportunos e inoportunos, que podem influenciar das mais diversas formas em nossas vidas.

Descarto a pecha de pseudo-psicólogo, uma vez que não tenho a pretensão de analisar ninguém, muito menos tentar apontar um caminho para as pessoas que ainda não encontraram nenhum.

A verdade é que, mais cedo ou mais tarde, as pessoas que possuem autocrítica e sensibilidade, conhecimento e compreensão, irão se questionar em algum momento da vida: - Que diabos eu faço agora?

As opções parecem diversas, o curto tempo de escolha, e a pressão aumentam a cada minuto, fazendo com que planejamentos, objetivos, sonhos e divagações se resumam a uma perspectiva torpe de fracasso.

Lampejos de uma vida boa tomam sua cabeça, dando a impressão de uma realidade cada vez mais distante, e dando espaço ao que você definirá como mundo real, mas que, na verdade, não passa de reflexo de uma vida pautada em desventuras, irrealidades, e insatisfação. Neste momento, você aceitou o fim, se resignou ao padrão, buscou baixo e deixou de arriscar.

A linha sutil entre o fundo do poço e uma reviravolta, é a sutileza que existe nas suas relações diárias. Amigos, família, colegas, ou qualquer pessoa que lhe estimule com um sorriso; um aceno positivo.

A cabeça erguida nem sempre é sinônimo de desdém, às vezes, a visão panorâmica proporcionada por essa posição, é a imagem literal e eficaz de uma vida nova.