terça-feira, 17 de novembro de 2009

A nova geração da ditadura


Ao fuçar na internet, principalmente em alguns fóruns de discussões políticas, e até mesmo no famoso orkut em comunidades seja lá de qual cunho for, é impressionante o número de pessoas que estão desacreditadas com a democracia e pedem a volta da ditadura. A maioria dessas pessoas são jovens entre 17 e 25 anos. Os argumentos variam: os mais desinformados acreditam que um sistema organizacional direcionado à manutenção da compostura dos cidadãos daria jeito na corruptela que se alastra pelo país. Os mais informados no assunto – que não viveram a ditadura, mas dão impressão de terem lido bastante sobre – alegam que, a democracia no Brasil é um feto natimorto, e que nunca teve eficácia. Já os que sempre se posicionaram contra, avaliam que, as efemérides da época eram recheadas de conteúdo pró-ditadura, e que hoje as coisas não são tão diferentes, o que mudou apenas, é o contexto.

Léo Lince, sociólogo e mestre em ciência política pelo IUPERJ avalia:
“ - A linha editorial dos jornalões trabalha, todo santo dia e com a competência de sempre, a rearticulação do pensamento autoritário e a defesa dos interesses conservadores. Se o governo despeja bilhões para o capitalista encalacrado na roleta do cassino financeiro, não dá outra: será elogiado pelo bom uso da racionalidade econômica. Se a Justiça do Trabalho, pressionada pela mobilização sindical, susta demissões imotivadas, como foi o caso da Embraer, isso não pode, é “delírio ideológico”. Ah, sempre lembrando que Lince, é uma das vozes do comunismo no Rio de Janeiro. Agora, se as coisas parecem tão extremas, de um ponto para o outro, como achar uma solução eficaz, capaz de dissuadir pensamentos tão arcaicos?

Ouvi dizer certa vez que a tendência do homem é a progressão mental e física, e hoje, o que somos? Novamente, australopithecus.
Não vou me admirar em nenhum momento, caso veja alguém na rua arrastando sua esposa pelos cabelos. Eu? Eu sou a favor da democracia. Apesar da necessidade de aperfeiçoamento, a democracia é o único regime de governo capaz de progredir, diferente do que têm aparentado nós, seres humanos. A democracia está ligada com a nossa capacidade de evoluir, quando isso acontecer, sem precisar de extremismo algum, as coisas vão se endireitar.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Boas conseqüências do verbo "destruir"


Quem foi que disse que a palavra; o verbo destruir há de ter sempre uma conotação ruim? Se você perguntar para um berlinense, hoje, obviamente ele ficaria espantado com essa concepção. A queda do Muro de Berlim, que separou Berlim, a Alemanha, e o mundo durante longos 28 anos, é um exemplo claro e ainda vivo, de que nem todo toque humano para “destruir”, é errado.

Se o comunismo utópico e distorcido teimava em imperar do lado Oriental, sob os domínios ideológicos e bélicos da União Soviética, no lado Ocidental, lutava-se bravamente para manter-se os bons resultados obtidos na vitória dos aliados na 2ª Guerra Mundial, a liberdade, trazida na própria figura do capitalismo.

Cento e Oito Mil quilômetros separavam a Alemanha Oriental da Alemanha Ocidental. Por quê? Simples. Era óbvio, que os alemães já não agüentavam o totalitarismo, e ditames de outrem – nem mesmo do Governo, ou do exército –, para seguirem suas vidas. A migração em massa era um fato que deveria ser controlado pelo lado Oriental, então, surgiu a idéia maravilhosa do muro. Mesmo assim, 3 milhões de pessoas conseguiram cruzar a fronteira para fugir do regime comunista. Sorte de quem conseguiu.

A revista Veja, em sua edição 2138, de 11 de Novembro de 2009, traz à tona mitos e verdades sobre a Alemanha Oriental, na página 133:

Um dos exemplos mais pujantes, era o mito que dizia que, no lado Oriental, havia emprego para todos. Segundo o Jornalista Alemão, Armin Fuhrer, o estado que dominava todo o sistema de produção, contratava dois ou mais trabalhadores para fazer a tarefa de um – o que acabou por levar o país à ruína. Com base no nível de ociosidade da mão de obra, estima-se em 16% o desemprego real na Alemanha Oriental.

Quando Hitler morreu em 30 de abril de 1945, deveria ter sido enterrado junto com ele, todo e qualquer tipo de ideal totalitarista, autoritário, que pudesse afetar o mundo novamente, e estremecer de novo o que é certo; a liberdade de expressão.

Por isso é necessário que todos esses “Muros de Berlim” que incitam mascaradamente o bem comum, sejam de imediato, destruídos, destroçados, aniquilados, derrubados, esmigalhados, enfim. Jamais na história do Mundo, a segregação trouxe algo de bom para a humanidade, as pessoas só têm boas lembranças dos grandes aglutinadores. E novamente, viva a democracia!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Chegou o dia

Chegou o dia que ele esperava. O dia que ele clamou e depois temeu. O dia que a clausura evitaria todos os espécimes ao seu redor. O dia em que suas últimas vontades perderiam a graça. O dia em que a lamúria, o ódio, o temor, o descompasso louco das paixões e conexões amigas o deixariam para trás. O dia em que o avanço tecnológico não mais o satisfaria, que as leituras estariam desprovidas de sabor, e também, que a comida virou apenas uma questão de sobrevivência. O dia em que o prazer, a degustação e os pequenos gestos proveitosos não mais o interessavam.

Neste mesmo dia, os passos retrocederam uma vida inteira, mas ao invés de tornar novamente todos os pequenos passos da vida em prazer, fez-se sucumbir numa extrema dor criada a partir de seu ego inflacionado. Ele deixou de ser adulto, deixou de ser adolescente, e tornou-se novamente uma criança. Uma criança inerte sob o ponto de vista adulto. Um ser acéfalo dilacerado pelo esquecimento e enterrado em sua própria vaidade. Aonde além dele próprio, os seus pontos periféricos de visão, também sucumbiram a uma voz retilínea que sempre disse: - Você está certo, você está certo.

Naquele momento, todos os seus pensamentos se tornaram confusos demais pro seu próprio entendimento. Afogado em desespero, manteve a cabeça erguida olhando para os céus – coisa que nunca fez –, esperando encontrar respostas. “Qual a direção que devo tomar nesta encruzilhada?” – ele se perguntava. Era doloroso, era sofrível, mas as lagrimas nunca desciam. Ele sentia por dentro, os pequenos estilhaços de uma vida destruída o corroer por inteiro. Uma dor semelhante a uma gangrena putrefando o seu corpo em vida, e é claro, sem morfina. Mas é óbvio que ele, muito orgulhoso, não derramava sequer uma lágrima.

Conforme o seu desinteresse, via suas opções se esvair de suas mãos. O desinteresse virou constante em sua vida, e cada dia que passava era comemorado com uma cerveja holandesa e uma proliferação de palavras avulsas que normalmente queriam dizer: - Obrigado, menos um dia pra eu morrer. E estas palavras, já eram as últimas que não entalavam em sua garganta, desde que o dia chegou, desde que chegou o dia.

domingo, 2 de agosto de 2009

Bucolismo prolixo


Os problemas são como os Vietcongs. Não importa quantos irão morrer, eles vão surgindo, emergindo, se destacando e te consumindo. O homem em pleno exercício do labor, não consegue compreender que, ao invés de resolver sua vida interagindo com o empírico, se decepciona ao sentir que a vida pragmática é exatamente o contrário do “dever ser”. O mundo todo faz questão de se embebedar em livros de filosofia. Mas hoje, penso que esse tipo de atitude, nada tem a ver com alcançar a vida política de forma sublime. No final das contas, todo esse conhecimento adquirido, só ira servir para enxertar discursos vazios e sem sentido.

Esse não é um problema unicamente brasileiro. O mundo inteiro parece ter perdido o conceito de política. Chegamos num ponto tão alto da democracia, que o planeta terra está em guerra e ninguém percebe. Afinal de contas, nós podemos escolher um lado para atuar, e deste lado, a militância cega e o furor de uma falsa esperança aos olhos de outrem, faz com que os homens evoluídos e distinguidos dos demais animais pela inteligência, voltem a agir como macacos.

A diversa gama de religiões, o pluripartidarismo, as flâmulas e os brasões de cada célula de atuação, implicam numa geração em declínio. Já não se unem forças para despontar na evolução de Darwin. O homem não irá evoluir mais, e vou além: haverá regressão. O dinheiro, as drogas, o entretenimento barato e caro, o álcool, o petróleo, são elementos (além de outros mais) que, já estão há séculos à fio sendo manchados pelo sangue de uma própria espécie. Por dinheiro e poder alguns déspotas venderiam a própria mãe sem pedir nota fiscal.

O jogo de aparência, o polimento de caráter, o representante legal do povo hoje, tem que dançar conforme a dança. Não existe um controle sobre isso. Nós inventamos órgãos e mais órgãos de fiscalização, que hoje servem, unicamente, para gastar dinheiro público em estrutura e no quadro de funcionários, porque em sua cartilha de missão, deixam a desejar, e as pessoas continuam sendo assediadas e molestadas em vão pelo poderio político que se alastrou no mundo.

Hoje, grande parte da população mundial perece com fome, com doenças tratáveis, e muitas outras situações que são fáceis de serem resolvidas. Mas não existe mais o interesse de uma massa unir-se em número expressivo em prol de melhorias. A própria internet é uma ferramenta de disseminação de informação que é usada para encorpar nossa latrina, ao invés de recrutar novos e atuantes formadores de opinião. É lamentável, mas é real. O abismo é o ponto de chegada na evolução.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

(RE) Calcado


Não importa se mesmo que você não seja um, se todas as suas atitudes representarem um liame objetivo com um religioso propenso ao amor, depois da primeira falha, lá se vão as pedras sendo jogadas por catapultas. Primeiro você admira de longe, é uma sensação estranha. Você compreende que ao atingir o alvo, as cenas decorrentes não serão das mais agradáveis (Se é que você poderá acompanhar por muito tempo). Mas de qualquer forma, você observar uma chuva de pedras antes de morrer, seria algo formidável e aterrorizante, uma mistura inerente à falha do sistema cardiovascular.

E qual o motivo!? Um ato falho. Nada mais que isso. Os discursos sobre tolerância das pessoas são sempre os mesmos. O prelúdio, o corpo e a conclusão. Eles não toleram a intolerância, causando total desconforto aqueles que os lêem ou que os ouvem. Perdem a credibilidade, os movimentos, e a coerência. Você começa a observar que, não existe uma doutrina exata para ser reconhecido entre os povos amistosos. Por quê? Bom, simplesmente porque não são; não existem. Lavagem cerebral é o que eu digo. Eles querem saber se você tem algo a oferecer. Não precisa ser material, tocável, tateável, eles só querem saber se podem te levar a uma nova conduta, e tornar-se um deles.

Mas todo mundo é assim? Claro que é. Tantos defeitos, tantas inaptidões, mediocridade-ativa refletem o que eles são. Refletem o que eu sou. Criaturas exageradas, repudiando a própria espécie. Os semelhantes, a ideologia fixada em livros universitários que navegaram em anos de filosofias, filantropias, histórias, e claro, mentiras. Todo mundo é um corpo estranho. Não existe padrão de festa receptiva. O que existe é uma formatação universal de comportamento, que lhes dão total embasamento para ser um bom anfitrião. É um diagnóstico vazio, inexpressivo e diria até que, doentio. Mas somos livres para pensar (ao menos isso), e esta é a visão do meu universo.

Utopia? Não consigo sonhar com nada parecido. Os outros pensam em deuses, famílias montadas, viagens pro exterior, e crescimento exponencial de suas carreiras. Eu penso viver um dia de cada vez, porém, com idéias que não representam nenhum grau de otimismo. Eu vivo de metáforas. Eu sou um devaneio louco escolhendo qual parafilia devo me encaixar. Porque sob um ponto de vista de um humanóide comum, coisas que fazem parte da natureza de um ser humano que se arrasta todos os dias por um chão que desenha um cotidiano idêntico e também por não condizer com a moral e o pudor social, devem ser tachadas de doença. Chame um médico, por favor.

Vinicius Canova Pires

sábado, 18 de julho de 2009

Uma empreitada que me pegou de supetão


É um clichê de e-mail (spam) encaminhado eu sei, mas a frase “o mundo dá voltas” descreve de forma bem abrangente e com olhar periférico o que estou sentindo. É claro que não acredito em hereditariedade de aptidões e conhecimentos, mas não posso deixar de ao menos cogitá-lo depois desses últimos dez dias. Quero deixar claro que não faço do meu blog um diário de derrotas e conquistas refletindo assim, o que sinto aqui. Muito pelo contrário, costumo camuflar minhas opiniões sempre falando em 3ª pessoa e mudando o contexto. É algo inerente à minha pessoa, o que não significa que eu tenha medo de expor o que penso (muito pelo contrário).

Bom.., sobre o clichê “o mundo dá voltas”, tenho que dizer que estou surpreso com o rumo que minha vida tem tomado. Há 10 dias atrás eu era o cara mais vagabundo de Rondônia. Ia dormir às 06h00min e acordava às 14h00min. Fazendo o que? Absolutamente nada. O que me frustrava era saber, que mesmo não tendo uma mente privilegiada e Q.I. altíssimo, tenho um talento natural para armazenar informações, absorvê-las e descrevê-las, é óbvio, precisa ainda, ser muito bem modelado mas já existe. O que eu estava buscando era um norte, um rumo para direcionar esse tipo de “talento”; e a vida, ou seja lá o que for, me levou direto à porta do Jornal Eletrônico O OBSERVADOR.

Destaco em negrito o nome do jornal, não por estar trabalhando lá, ou para fazer propaganda barata, faço isso porque foi a primeira porta que bati solicitando uma chance, e pra minha surpresa, fui atendido (não só no sentido de receptividade). De repente, vejo minha vida mudar completamente de contexto. A minha perspectiva sobre as coisas eram apenas de fracasso, de um ponto final pra qualquer passo que eu tentasse dar pra frente. Na metade de 2009 e também na metade do meu curso de Direito, já com 20 anos idade – idade suficiente para que hoje, uma pessoa já tenha uma vida encaminhada –, não saberia mais à quem recorrer e o que fazer pra começar a andar. Estava ficando tarde demais.

Sempre achei que tenho mais sorte do que juízo, mas isso não importa. As coisas acontecem como devem acontecer mediante nossas escolhas. Para mim, não existe acaso ou destino. Em toda ação há uma reação, correto? No meu caso, essa reação se chama Sérgio Pires – meu pai. Tudo que ele falava, tudo que tentava me passar e ensinar foi descartado de imediato, pois na época, não fazia sentido. De uma hora pra outra, as frases dele, mesmo que ainda embaraçadas, tomaram conta da minha cabeça e montaram um mapa com um único destino: vitória.

Por mais estúpido e contraditório que seja eu dizer isso, creio que herdei dos meus pais a perspicácia textual. Saber manusear um texto, manipulá-lo, e torná-lo real. Mesmo que ainda precise de alguns reparos e orientações. Fico feliz em poder hoje, participar como iniciante, de um quadro de profissionais repleto de veteranos. É..., essa vida nova me pegou mesmo de supetão.

Vinicius Canova Pires

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Voa, voa, voa...


Aconteceu. Foi aos trancos e barrancos, mas finalmente aconteceu. Para mudar de postura foi preciso mudar também minha visão sobre o mundo: toda aquela teoria em que pensava que as coisas estavam designadas ao caminho do fracasso, foi desbancada por uma atitude. Quem começa a trilhar seu próprio caminho com o mínimo de ajuda possível, inicia uma jornada de verdade explícita. As dúvidas vão dando lugar a objetivos, e os objetivos vão sendo cumpridos por etapas, passo a passo, sem delongas e sem hesitação.

O primeiro passo é o mais difícil no processo de reciclagem da vida. Terminou a temporada de caça ao sono, e começa a temporada de caça aos sonhos. Uma vida padrão, um homem comum, o que no fim das contas não é tão ruim, porque se o homem comum e igual a todos os outros é feliz, eu prefiro ser um clone dessa sociedade que ri a esmo.

Pessoas teimosas como eu, costumam andar no vão da incerteza, quando é muito mais fácil trilhar um caminho cheio de acompanhantes que possuem o mesmo objetivo claro de crescer na vida. Os nossos familiares, amigos e próximos que não nos deixam estancar, nos apresentam essa rota que de primeira impressão é completamente monótona, mas mostra dezenas de bifurcações vitoriosas em seu vasto caminho. O difícil é chegar lá. Mas a largada foi dada, e minha visão do mundo mudou.

Parafraseando Mário Quintana: “Todos estes que aí estão atravancando meu caminho, eles passarão, eu passarinho”. Vou voar, vou voar, vou voar, voei!

Vinicius Canova Pires