segunda-feira, 30 de março de 2009

LOROTAS I


Imagine um homem milionário! Não, não... milionário é pouco, imagine um homem bilionário. Agora, se esforce um pouco mais com a ajuda de sua mente que talvez não alcance níveis tão criativos, para atribuir a esse homem bilionário as seguintes características e conquistas:

01) Chegou ao trigésimo grau da maçonaria;

02) Assassinou sua própria filha por ordem dos maçons;

03) Teve um filho com sua irmã;

04) Foi pago por Maluf e Sarney para fazer um feitiço contra Tancredo Neves, o que gerou sua morte;

05) Atuou como “mediador” no pacto de Xuxa com o diabo;

06) Teve um tórrido romance de seis meses com um fila brasileiro (é sério);

07) Negociava diretamente com Fernandinho Beira-mar;

08) Tem o nome “lucifer” tatuado no pênis;

09) Tentou assassinar outro filho seu com um disparo no crânio, porém, o moleque saiu vivo (mas, levou o disparo);

10) Teve uma filha de doze anos assassinada pelos maçons, depois que abandonou a ordem;

11) É um ex-homossexual (fichinha pra quem já praticou zoofilia e incesto, convenhamos);

12) Trabalhava num banco, onde no final do dia aplicava todo o dinheiro dos clientes na sua conta e aplicava no overnight, e vivia só da renda que isso gerava, logo devolvia o dinheiro pras respectivas contas (alguém me explica o que é um overnight, por favor);

Esclarecimentos do meu grande amigo e irmão Leandro Batista:

O plano real foi criado pelo Ex-Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, a inflação alcançava números extratosféricos e os preços do mercado, mais voláteis do que nunca, cresciam à toda hora, todo minuto. Então, o Overnight funcionava da seguinte forma: Investia-se o dinheiro lá pelas 18h00min e retirava-o pela manhã, logo cedo. No tempo em que o dinheiro estava investido, rendia aproximadamente uns 30% de lucro. O que hoje pode parecer muito, porém, na época, era uma quantia razoável, mas mesmo assim, era lucro.


13) Era macumbeiro oficial do presidente da Fiat e mais outras várias multinacionais;

14) Foi um milionário dono de várias mega-empresas.

Ora, meus amigos. São tantas as atribuições na vida do Tio Chico, que qualquer pessoa em 3 encarnações, não seria capaz de superá-lo. Também não consigo imaginar alguém que em 3 ou 4 encarnações consiga superar o Tio Chico em um quesito muito especial: mentira. Mas esse texto aqui não tem a finalidade de desmascará-lo, afinal de contas, qualquer pessoa que tenha um só resquício de discernimento não dará ouvidos ou atenção as esdrúxulas profecias do ex-Bruxo, a menos, é claro, que a finalidade seja dar boas gargalhadas e ridicularizar o figurão.

Outra coisa interessante é que o espalhafatoso Tio Chico, que em seus testemunhos diz poder provar tudo o que diz, não publica sequer um documento oficial – nem mesmo uma Xerox –, em seu site oficial provando que já ocupou cargos públicos. Ou para facilitar as coisas quem sabe uma simples cópia de seu imposto de renda que daria comprovação a toda riqueza adquirida nessa saga fantasiosa que foi a vida de Tio Chico. E claro para melhorar ainda mais, Tio Chico diz ter sofrido um acidente aonde teria entrado em seu corpo ferros de todas as espessuras, tamanhos e formas. E como golpe final neste episódio em particular, a junta medica que supostamente havia o declarado morto, ainda retira de sua cabeça 320 gramas de vidros e estilhaços do pára-brisa.

Então, podemos resumir previamente, que Tio Chico é um grande mesclado de personagens que já conhecemos bem: Primeiramente pensei em Joseph Climber, o personagem criado pelos Melhores do Mundo que vai vendo a sua vida declinar em um azar impregnado em sua própria existência, mas sempre é claro, superando-os (O caso do acidente). Também pensei em Clint Eastwood quando atuava no cinema fazendo Western (O fato de ser pistoleiro). Com o satanás, em relação a essa amizade antiga e estreita me veio à cabeça um personagem bem brasileiro: Toninho do Diabo. E hoje em dia, em relação ao uso da palavra sagrada de Cristo, a loucura e os devaneios, torna-se a imagem e a semelhança de Cristo, ou melhor dizendo, Inri Cristo.

Tratemos então, de reconhecer Tio Chico como comediante e não como charlatão. Afinal de contas, o mundo está cheio de falsos profetas. Alguns são muito sem graça, e outros superam as expectativas do que pensamos ser ridículo. Este sim, é o caso do Tio Chico. E eu me divirto muito com ele. Abaixo relaciono alguns link’s do youtube para que as pessoas que não o conhecem possam se divertir como eu me diverti, obrigado.


LINKS YOUTUBE:

terça-feira, 10 de março de 2009

Poeira cósmica insatisfeita

A vida pra muita gente tem o mesmo sabor: trivialidade. Nos esforçamos muito para segurar os acontecimentos recentes em nossas vidas, sejam bons ou ruins, para dar sempre uma sensação de uma experiência nova, uma vida nova, um recomeço. Porém, infelizmente, o ostracismo é uma constante no cotidiano de um cidadão-comum. O que ocorre hoje às 09h30min, sequer é lembrado às 20h55min. A vida contemporânea nos acomodou de tal forma, que as novidades não nos surpreendem mais. Se um avião cair no seu vizinho, é provável que você fique sabendo através do youtube, do Orkut, ou de qualquer outra ferramenta de troca de informações, menos é claro, por constatação pessoal. E hoje isso é invariavelmente, uma verdade para todos nós.

Felizmente para alguns de nós que ainda temos contato com pessoas de maior experiência em vida, podemos medir a diferença parcial de distância entre a vida nos anos 70 e vida de hoje. Profissionalmente falando para exemplificar: Um jornalista era um ser humano incansável, uma fera louca e doentia a procura de informações, de furos de reportagens, de entrevistas exclusivas. Dar a cara à tapa era uma atitude crônica de todo e qualquer profissional na área de imprensa. Nos dias de hoje, é comum encontrarmos jornalistas são e salvos nos confortos e na própria estabilidade de seus lares. Trabalhando atrás de computadores, conversando por e-mail com assessorias, e não vertendo sequer suor de suas testas.

Se essa é uma realidade triste, nua e crua dos tempos de hoje, é óbvio que a coisa só tende a piorar. O comodismo entrou em nossos lares, invadiu nossos corpos e em alguns casos, até corrompeu nossas famílias. É uma verdade explícita! Uma verdade que corrobora com as nossas atitudes. Uma verdade, que caso não seja contrariada, há uma grande chance de haver um choque de realidade em cima da hora, hora essa, em que nos confrontaremos no espelho e indagaremos a nós mesmos: - Meu Deus, no que eu me tornei?. As pessoas tendem a proclamar insatisfações, sobretudo, em seus devaneios sobre suas frustrações. O tempo que é perdido criando um texto inútil como esse, poderia ser melhor utilizado em leituras, pesquisas, e até em um reajuste de sono mal programado.

Mas é aquela história: apesar de não ter generalizado a espécie humana, sei que a maioria de nós é imediatista. Ou se tem resultado em curto prazo, ou não se segue o projeto. Desistência! Resignação! Insatisfação! Culpa! Desespero! E o engraçado, é que essas são reações ou sentimentos que sentimos por nós mesmos, e estamos sempre arrumando desculpa para descontar em outros. Por isso, nos eximimos dessa culpa, e nos denominamos auto-suficientes emocionais, quando somos apenas, poeira cósmica insatisfeita. Pequenas partículas chorosas que juntas, montam um coro lamurioso e que insistentemente clama por atenção.

Vinicius Canova Pires

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Quando não temos em que se apegar

Desde os tempos mais remotos, os seres humanos procuram um respaldo plausível e bem justificável para explicar a razão de algumas vertentes em seu comportamento. Alguns homens denominados de “bem”, buscam na religião uma densa desculpa para praticar atos animalescos, destacando-se como exemplo a temível santa inquisição. Outras pessoas mesmo não descartando suas religiões herdadas, embasam suas ações em ideologias que na maioria das vezes nada têm a acrescentar ao mundo. Utilizam-se dessas idéias de jerico, para se sentirem de certa forma “adotadas” por alguma coisa. Algumas pessoas precisam impor suas idéias, seus conceitos, e para conseguir isso muitas vezes, tendem a se impor pela força bruta.

Infelizmente, apesar da derrocada do idealismo do Führer e com a difusão da informação após a guerra fria, celebrada pela chegada da globalização, algumas pessoas que se utilizam da facilidade de divulgação de praticamente tudo que acontece no mundo pela internet, começaram a espalhar novamente os desmandos de Adolf Hitler, formando pequenas células de atuação em todo o mundo. No Brasil, um desses grupos extremistas é a gangue denominada White Power (do inglês: poder branco), que determinada aos seus adjuntos que espalhem mensagens de intolerância racial, repúdio ao homossexualismo entre outros inúmeros preconceitos contra pessoas que não fazem parte de sua casta, com o mesmo objetivo do autor póstumo Adolf Hitler, que foi derrotado a muito custo pelos Aliados na segunda guerra mundial.

Após morrer em Abril de 1945, suas idéias e conceitos foram se dizimando aos poucos, o orgulho da grande maioria do povo alemão durante a 2ª guerra fora trocado pelo sentimento de vergonha. Troca de sentimento este, que não se repete em seu esquadrão novo de asseclas. A idéia contínua de que deve e há de existir uma raça superior no mundo, capaz de resolver problemas que variam entre doenças e questões sociais problemáticas como a própria pobreza, é a combustão que dá força e movimento a esses grupos formados por jovens e adultos de variadas idades. Porém, alguns desses juvenis integrantes de grupos extremistas sequer sabem coisas básicas sobre história, trocam a pratica da leitura pela deliberada vontade de exprimir ódio e ressentimento.

Em suma, todo ser humano precisa de alguma desculpa para agir. Seja social, política, comportamental, ideológica, religiosa, filosófica, as atitudes provém de uma devoção que muitas vezes é cega, e que tem o intuito de externar sentimentos que dificilmente faríamos caso não nos apegássemos a alguma coisa.

Vinicius Canova Pires

O diferencial na internet: Internet Relay Chat (IRC)

Diariamente nos deparamos com alguns veteranos nesse jogo louco que chamo de vida. E uma das frases preferidas deles para retratar algo majestoso que ocorreu em sua época e que hoje é só lembrança, é: “Quem viu, viu. Quem não viu, não verá jamais”. Engraçado é que pra quem ouve, parece a mesma ladainha de sempre da velharada. O costume débil de ficarem horas e horas divagando em frases rebuscadas para caracterizar a infância adocicada e a juventude porra-louca. Eu sempre pensei nisso com certo ar fadado, sem paciência para ouvir. Mas hoje comecei a concordar que em alguns momentos é necessário compartilhar as coisas boas que vivemos, principalmente com pessoas que jamais saberão o gosto de certas coisas.

No caso do texto de hoje, me refiro ao mundo nerdiano, um mundo que eu jamais fui capaz de respeitar, mas que convivi e convivo até hoje no meu dia-a-dia. Hoje tive a chance de voltar a usar novamente o mIRC (quem não sabe o que é, sugiro que leia o texto na Wikipédia, é bem esclarecedor)¹. A sensação inicial foi uma nostalgia que percorreu meu corpo todo e foi parar na superfície da minha pele, causando um arrepio em meus braços. Lembrar de como era aquela época, antes da criação da comunidade virtual que chamam de Orkut, e antes da difusão do MSN Messenger, me traz a tona bons sentimentos em relação a minha própria infância e pré-adolescência. Era algo diferente, que mesmo em seu ápice de usuários na principal rede brasileira, atingiu no máximo 60.000 usuários.

O MSN e o ORKUT tornaram a inclusão digital uma verdade que antes de sua existência era uma esperança, e hoje com certeza descobriu-se que a realidade é outra; um desastre total. Para manejar o mIRC mesmo a pessoa mais ignorante, teria que estar integrada com o mínimo de comandos para facilitar o seu uso. E esse uso constante do IRC forçava as pessoas a se informarem mais sobre o que estavam usando, mesmo que o script de sua preferência lhe fizesse o favor de sintetizar os comandos e programá-los para uma utilização mais facilitada do usuário. Não era apenas um “bate-papo” como algumas pessoas gostavam de designar. O IRC era uma empresa, mas comandada por pessoas sábias e que costumavam flexibilizar-se de acordo com a vontade e a critica dos seus freqüentadores.

Com a “morte” do IRC, a internet e o dinamismo entre as pessoas se resumiram a incessantes conversas que começam e terminam sempre do mesmo jeito no Messenger, a vadiagem e a pedofilia crescente entre os usuários do Orkut, e um acréscimo também nos crimes de internet em geral. Mas creio eu, que a humanidade se resume a isso: os seres humanos sempre procuram a forma mais fácil de tocar suas vidas. Pouco importa as conseqüências que isso representaria numa sociedade como um todo. O brasileiro principalmente tomou o “cada um por si” como sua tônica de vida e decidiu viver sua vida a partir desse lema. Tristeza para alguns, felicidade para outros. Mas eu estou feliz, porque posso encher minha boca (dedos) para proferir as últimas palavras desse texto: Quem viu, viu! Quem não viu, jamais verá!

¹: http://pt.wikipedia.org/wiki/MIRC

Vinicius Canova Pires

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Heil Ratzinger!




Saúdem o Papa Bento XVI! Saúdem a Igreja Católica! Saúdem a Santa Inquisição! E principalmente, saúdem a mentira do Holocausto! (sic) Opa! Mentira? E quem é que disse que o Holocausto é uma mentira? Bom, além de alguns escritores que se escondem atrás de pseudônimos, temos uma figura cristã em questão: O bispo ultraconservador inglês Richard Williamson. Que foi reabilitado pelo papa Joseph Alois Ratzinger, após passar 20 anos excomungado. O mais engraçado na história toda, é que um padre cuja infância tenha sido atrelada ao contexto nazista de Adolf Hitler, em um ato solidário de pura benevolência tenha aceitado novamente o bispo Williamson.

Será que somos tão cegos e ingênuos mesmo? Absolutamente ninguém cogita a possibilidade de Ratzinger ainda simpatizar com o idealismo de supremacia de Hitler. É normal as pessoas cometerem equívocos, com conseqüências desastrosas. Mas o medo de errar, não pode impossibilitar que alguns de nós com um pouco mais de voz-ativa se retenha e não expresse opinião. Diariamente estamos acostumados com as baboseiras proferidas pelo excelentíssimo papa Bento XVI, como condenar uma família por querer desligar os aparelhos que fazem com que uma filha já há 17 anos em coma, sobreviva. Ativistas da Igreja católica se acham no direito de jogar pedras na família e julgam o governo por dar o aval necessário para que finalmente uma novela trágica termine. E a angustia de uma família castigada pela vida evapore.

Todos os dias lemos nos jornais cibernéticos ou impressos: “O Papa condenou”, “A igreja católica é contra”, etc. E quem são eles agora, depois do maior holocausto do mundo conhecido como Santa Inquisição, para julgar quem está certo e quem está errado? Há uma piada de mau gosto sendo contada na história do mundo. E essa piada muda o cotidiano de várias pessoas ao redor do planeta. Porém, algumas pessoas não agüentam mais esse tipo de piada como é o caso de Giuseppe Englaro, que é pai da mulher que estava em coma e que lutou bravamente durante 17 anos, esperançoso de que um dia a filha voltasse à vida. Admitiu tristemente, que chega um momento em que já não há mais o que fazer. E que a única saída é fazer com que a filha tenha uma morte digna e sem dor. E claro, a Igreja Caótica com o seu Führer, criam entraves ridículos para impor uma supremacia que para eles deve existir apesar da dor de qualquer pessoa no mundo. Heil Ratzinger!

Vinicius Canova Pires

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Duas décadas



No dia vinte e sete de janeiro de mil novecentos e oitenta e nove, nascia um pedacinho de carne roxa, ofegante, que mais parecia um rato do que um bebê recém nascido. Posteriormente as pessoas mal poderiam acreditar que aquele semi-rato de laboratório, se tornaria uma criança obesa com cento e trinta quilos. Porém, como minha mãezinha querida costuma dizer: - Era gordo, mas era feliz. Muito mais feliz. -, E hoje, faço as palavras dela, as minhas. Infelizmente com a idade o nosso senso critico fica mais aguçado, a gente vai olhando ao redor e percebendo que cada vez mais o ciclo de pessoas em volta da gente vai enxugando, ou não. Algumas pessoas escolhem a vida de relações públicas, ser amigo e querido por todos. Mas talvez, por azar meu, a minha consciência não me permite tal postura.

O tempo muitas vezes é tratado como inimigo. Vejo isso de forma diferente hoje em dia; só o tempo é capaz de definir o que você é. Com o passar do tempo, com a convivência e o entendimento sobre as pessoas, é possível usar esse tempo á favor de sí. Olhar para trás e enxergar um Vinicius bobão e querido por todos tem um significado bonito e traz à tona uma nostalgia incrível. Como se eu pudesse tocar no meu passado. Ver, sentir, mudar, compreender. E isso tudo é muito bonito, e claro, que mesmo sendo muito diferente hoje, eu não mudaria nada no meu passado. Porque foi por esse caminho que eu aprendi a ser do jeito que sou. Provavelmente quem ler esse texto vai pensar que estou querendo dizer que sou grande coisa. Muito pelo contrário. Pra ser alguma coisa na vida, é preciso estender seus tentáculos. E eu prefiro deixar os meus curtos, e atingir só à quem me apraz atingir.

No decorrer da minha vida, tive pouquíssimas amizades sinceras. Mas eu agradeço todos os dias à Deus (isso mesmo, você não leu errado) por ter encontrado essas pessoas. Dentro da minha própria casa sou cercado por três sentinelas que não me deixam faltar nada. Não deixam nada de ruim acontecer pra mim. E que fazem o possível pra que eu não dê um passo em falso, ou cometa erros que não possa consertar. Fora da minha casa, encontrei outras pessoas que hoje cito à todos como se fossem da minha família. Pessoas com quem tive o prazer de contracenar nesse grande espetáculo cinematográfico que é a vida. Eu não citaria nomes. Medir esse tipo de sentimento é besteira. Mas as pessoas que fazem parte desse rol escasso de pessoas que amo, sabem o sentimento que tenho por elas.

Sinceramente, o texto de hoje é totalmente sem nexo. Estou sem inspiração pra escrever, e acho que o faço apenas pra manter uma tradição pessoal de escrever qualquer coisa no dia do meu nascimento. No mais. Obrigado.

Vinicius Canova Pires

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A única tenra idade


Existe uma época em que tudo lhe é permitido: errar, destruir, fazer, desfazer, enganar, culpar, mentir, transmitir entre outras coisas que cabem as coisas boas e as coisas más dessas decisões. Entretanto é uma época que deixamos escapar pelos nossos dedos de forma fácil, não por nossa culpa, e sim, porque é uma idade em que o tempo costuma ceifar tudo muito rápido, abusando de nossa delicada inocência. Essa época também nos remete a uma porção de reflexos. Quem é que não se lembra daquele bolo caseiro da avó? Ou a primeira bola de futebol? Ou simplesmente aquela tentativa frustrada de nossos pais de fazer com que viéssemos a gostar de coisas que simplesmente não nos apraz. (no meu caso, meu pai tentou me corromper com uma camisa do Internacional). É uma época milagrosa.

Todas características de uma época que guardamos com carinho em nosso corações. Todos os momentos bons que passamos juntos em família e que agradecemos ter passado, porque há coisas que simplesmente passaram, e jamais o trem das oportunidades carregará novamente tais oportunidades. Não que tudo isso se tenha perdido no vão da vida; é sobretudo as mágoas do não aproveitamento de tais oportunidades que nos fazem lamuriar a vida. E isso, tem uma tamanha influencia em nosso dia-a-dia, que acabamos por nos esquecer que a “nossa” vida depende da nossa vontade. A vida para o resto do mundo continua. Tenha você uma doença, tenha sido mutilado, tenha sido demitido, tenha perdido um ente querido. Para os outros, ela continuará.

Precisamos fixar os nossos pés no chão, e colocar a nossa cabeça inclinada para o sol nascente. Todos os dias deixamos as oportunidades passarem pelas nossas mãos. Culpamos as coisas que de ruim acontecem em nossa volta. Culpamos nossos pais, nossas mães, amigos, colegas, o trabalho, a faculdade, enfim. Cada dia que passa, fica extremamente mais difícil olhar para o nosso próprio umbigo, que seria finalmente, admitir que o fracasso em excesso tenha partido de nós mesmos para com os outros, e não vice-versa. Quero deixar claro, que aqui não desejo fazer crônicas, textos, resenhas, ou qualquer outro tipo de texto de auto-ajuda. Aliás, este que vos fala, odeia esse tipo de texto. O que busco é uma própria reflexão sobre as coisas que deixamos passar sem perceber, e que ainda existe tempo para pegar outros trens, em outras estações. Também para lembrar-lhes o seguinte: já tivemos nossa tenra idade, o momento em que nos era permitido errar foi-se. Agora... a cada passo em falso, corresponde a uma derrota em nossas vidas. Lembre-se de sua mais tenra idade, e perceba de uma vez por todas que ficou pra trás.

Vinicius Canova Pires