terça-feira, 24 de agosto de 2010

CRÔNICA: Realidade IV – A fisiologia dos metacarpos

NOTA: Antes de começar a quarta crônica, quero deixar claro, que nem tudo que se passa com o protagonista da série, que sequer tem um nome, tem a ver comigo. Não me preocupo se as pessoas emitirem juízo de valor após lerem os textos, mas espero que saibam que nem tudo tem relação com o autor, no caso, eu.

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Hoje é dia de esquecer a realidade. Hoje é dia de comemorar. Comemorar o quê? Não ter o que fazer, não precisar conversar com ninguém, não ter que atender ao telefone, não levar esporro de patrão mal humorado, e principalmente, por não ser obrigado a fixar os pés fora da cama.

Sábado é dia de viagem astral. Esquecer
que meu time é o último na tabela do campeonato nacional, esquecer que na mesa da sala de estar tem três ou quatro contas pra pagar, e todos os infortúnios que estão me esperando, mas me darei ao luxo de só atende-los na segunda-feira.

Moro só. Posso andar de cueca, ou sem ela. Tenho uma cadeira de balanço maravilhosa, voltada à janela da sala, e me dá uma vista maravilhosa da rua. O que eu consigo ver? Quase nada. Na verdade, vejo alguns postes, fiações, pessoas andando pela rua, e algumas delas podem até me fitar se insistirem muito, mas isso não acontece.

Disse em outras oportunidades que eu costumo passar despercebido, mesmo que eu esteja sentado numa janela, seminu, e fumando um charuto enorme de maconha. Eu não falei que ia viajar? Esse momento é único. Melhor que a masturbação; o processo de auto-conhecimento é rico de belezas, é estreitamente casual, mas oportuno, e lhe propícia o verdadeiro gozo que não vem do suco vital, e não suja o chão, nem as mãos.

Toda vez que eu fico chapado, sem exceções, penso na fisiologia dos metacarpos. Sabe-se que em nós, os homens, é o metacarpo que sustenta a palma da mão. A partir daí, podemos sentir as coisas, apalpá-las, e enfim, segurá-las. Os metacarpos são culpados pela nossa obsessão pela posse.

Mas não é de hoje a minha neurose por eles: desde que fumei meu primeiro baseado, a frase “A FISIOLOGIA DOS METACARPOS” ficam estampadas na minha cabeça, e eu juro por Deus ou por Alá - seja lá qual for seu Deus – que eu não faço a mínima idéia de onde é que veio isso, mas acabei dando à eles, a importância que realmente merecem.

Quando você está em plena viagem, as coisas mais absurdas passam pela sua cabeça, quase nada se relaciona. Já imaginei Einstein descendo de rolimã por uma ladeira extremamente íngreme, e claro, mostrando a língua. Certa vez, pensei ter imagino Hitler beijando a mão de cada Judeu que sobreviveu na Alemanha, e pedindo desculpas. Mais absurdo ainda, foi vê-lo ser perdoado por todos, tendo um deles como melhor amigo e dando dinheiro ao filho mais novo dele em seu Bar Mitzvá, pode uma coisa dessas?

Pensei na inutilidade das guerras que o mundo foi obrigado a suportar. Imaginei que eu, franzino e sem um pingo de patriotismo, caso tivesse que ir à guerra, gostaria de ser o cara dos mantimentos. Fingiria-me de morto, me esconderia, e esperaria a guerra terminar até alguém vir me resgatar. Isso se eu não me misturasse ao povo nativo; seja de onde for.

Se eu sou covarde? Claro que eu sou. Eu já vi muitos salvadores da pátria com facas encravadas em seus crânios sendo cuspidos pelos seus adversários. Esses grandes patriotas ganham do Governo uma medalha de ouro, que a mãe recebe em mãos, em troca de seu filho subtraído numa batalha sem sentido.

As pessoas têm tempo, mas elas não querem parar pra pensar na fisiologia dos metacarpos. Elas deixam a beleza da vida passar. Assim nasceram os burocratas; criando empecilhos, acirrando disputas, deixando pessoas sem um lar.

Apesar de não parecer no dia a dia, eu acredito na paz. Eu acredito que existam pessoas que estão aí fora no mundo lutando por alguma coisa maior do que elas, pensado em outras pessoas, e
nas futuras gerações que habitarão um mundo cada vez mais deteriorado.

Dentro da minha própria ignorância, acredito que faço a minha parte não atrapalhando a benevolência dos outros. Eu vivo em constante contradição no meu profundo ceticismo, mas a minha viagem hoje, serve justamente para reencontrar o ser humano que resta aqui. Só acho um equivoco que a perpetuação desse bem, seja baseado em medos que representam o receio das retaliações que a fé impõe. O que falta ao mundo hoje, principalmente nas pessoas, é o desinteresse, o desapego ao material, que elas façam algo sem esperar nada em troca – isso sim, é ser genuinamente bom –, se eu pudesse citar um exemplo, deixando claro que não sou espírita, diria que Chico Xavier foi uma dessas pessoas.

Da janela, dá pra ver o sol se pondo. O sono me pega de jeito, e os pensamentos pseudo-filosóficos agora dão lugar a uma intensa e negra névoa de um profundo nada. É hora de aterrissar. No domingo tenho uma pilha de pratos pra lavar.


CRÔNICA: REALIDADE III - DO DINHEIRO, DA FÉ E DA FIDELIDADE

Acordei monossilábico hoje. Sem saco pra bater-papo. Sem saco pra fidalguia. Sem saco pra ouvir ou falar. Enfim, estou emasculado pra vida. Mas, pra quem vive de empreguinho, quem não estudou, quem não se dedicou, não pode fazer outra coisa se não se preparar para os rituais do dia a dia. Falando em rituais, hoje é dia de pagar o aluguel. A dona Lúcia vai começar a me ligar exatamente às 15h. Como eu sei? Bem, todo dia 30, desde que moro nesse apartamento, exatamente esse horário, meu telefone toca. Só posso imaginar que a dona Lúcia é uma solteirona daquelas que moram com doze ou quinze gatos, e um papagaio que fica na cozinha cagando, enquanto ela come a pizza de ontem que recém esquentou.

Vou deixar pra pensar numa desculpa esfarrapada na hora. Ainda é de manhã cedo, minhas remelas estão secas e impregnadas nos meus olhos, e mau humor é a última coisa que eu quero somada a essa maldita preguiça que insiste em me assolar todas as manhãs.

Desta vez, pela intensidade da fadiga, opto por ir de ônibus – o que é bem raro. Sem preconceito, mas os primeiros ônibus da manhã, lotados, sem espaço nem pra respirar, só não são piores que os do meio-dia, quando todos resolvem se unir, colando-se uns aos outros pelo suor.

Eu não tenho cartão de integração, já que não costumo usar o transporte público. A taxa é de R$ 2,39. Pago o cobrador com uma nota de dez, e espero meu troco pacientemente. Nesse meio tempo, enquanto espero, a catraca vai rodando, e eu vou sendo empurrado contra minha vontade á frente do ônibus, e ficando cada vez mais longe do meu dinheiro. Grito de longe: “ – Cobrador, cadê meu troco!?”. Ele responde: “ – Senhor, estou sem trocado, espera um momentinho, já lhe dou”.

Chega minha parada, estou longe do cobrador, e atrasado pro trabalho. Enfim, estou R$ 7,61 mais pobre, e as empresas de ônibus R$ 7,61 mais ricas. Com esse dinheiro, poderia pegar o ônibus mais três vezes, ou comprar uma carteira de cigarros e ainda me sobrariam alguns centavos.

Penso que é nesse desperdício de pequenas quantias que ficamos mais empobrecidos, afinal de contas, o dinheiro gasto com as despesas mensais estão contabilizadas, e achamos um absurdo que não sobre nada. Credito também isso, ao preconceito com as moedas.

Recentemente, entrou um novo cara na empresa em que trabalho. Boa pessoa, inteligente e até mesmo cordial. Mas, como não poderia deixar de ter algum defeito, revelou-se um evangélico daqueles radicais. No começo, trocava idéias, e até gostava de algumas conversas aleatórias. De repente, o infeliz decidiu que tinha uma tarefa ali naquele escritório, justo no lugar em que eu trabalhava, e a vítima claro, era eu. A tarefa? Bem, me evangelizar.

Depois que notei suas intenções, decidi que era hora de desfazer uma amizade. Afinal de contas, não se pode manter todo mundo ao redor, se você decidir pela honestidade e sinceridade. As pessoas não gostam do enfrentamento à uma realidade que difere das delas.
Infelizmente, algumas pessoas tem reações completamente inesperadas aos seus pensamentos e isso pode variar de uma tristeza sublime até uma raiva descontrolada cujo extravaso se atém exclusivamente a espancar o seu ‘opressor’.

Tive sorte, o cara apenas se assustou um pouco com minhas concepções, mas resolveu me largar de mão. Quando terminei o meu discurso e determinei um ponto final na minha posição em relação à fé e religião, ele deu de ombros e apenas disse:

“ – É uma pena, mais uma alma perdida”.

Eu não creio que existam almas perdidas, principalmente depois da invenção do GPS.

Eu vivo dentro das normas que a sociedade estipulou. Vivo conforme a legislação determina que as pessoas devam viver. Descreio de quase tudo que é imaterial, para mim, o tato é o melhor dos sentidos, pois traça o paralelo entre o real e o irreal.

Minhas lamúrias queixosas, meu cotidiano atarefado e monótono, traçam uma vida repetitiva, sem novidades, sem aventuras, mas seguidamente satisfatória, por eu poder ser hoje, quem eu realmente quis ser sem arrependimento algum.

Se existe mesmo o livre arbítrio, e se as pessoas são livres para escolher o que querem e o que não querem fazer de acordo com sua consciência – que é construída basicamente de princípios e conhecimento empírico – acredito piamente, que mesmo não acreditando em Jesus Cristo, Deus, ou qualquer outra nomenclatura divina, mesmo que eu esteja errado, não posso ir para o inferno.

Ouvi dizer que para entrar no reino dos céus, basta a sincera redenção dos pecados. E não me entra na cabeça, que um estuprador, assassino, ladrão, enfim, que um criminoso reunindo toda a capacidade de fazer mal aos outros, possa se safar tão fácil assim do que chamam de inferno, e eu, simplesmente por ser cético, pereceria a eternidade nas labaredas de Lúcifer.

Hoje me basta acreditar que se existe algo próximo dessa luta entre o bem e o mal, representados respectivamente por Deus e Diabo, ou Céu e Inferno, nada mais é do que a própria consciência, que de fato, tem dois pesos e duas medidas.

Me ocorre também, que todos nós – seres humanos – temos um lado mórbido, que ocasionalmente pode ser chamado de maldoso, mas que por se tratar de instinto, não poderia ser denominado assim.

Existir uma pessoa cem por cento boa está fora de cogitação, tanto quanto está fora de cogitação uma pessoa ser fiel a outra. Os raríssimos casos em que isso ocorre, trata-se de uma luta completamente sem sentido e desnecessária de algumas pessoas buscando ser algo que não são. A palavra fidelidade é a retratação FIEL da controvérsia humana.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

CRÔNICA: Realidade II

Às vezes me bate a insônia. Ok, tudo bem, é normal. Muitas pessoas têm insônia, não? Mas o estranho, é que a maioria delas são operários-padrões, que tem de acordar todos os dias cedo, e labutar. Nada mais a dizer, com exceção dessa ressalva. O normal nesses casos seria eu levantar, ir até a geladeira, encher um copo de leite, acender um cigarro, e tentar aos poucos voltar a dormir.

Nada, não desta vez. Mudando um pouco do plano padrão aos casos de falta de sono, ligo a televisão em busca de entretenimento barato; filmes dublados, ou qualquer outra coisa que eu já tenha visto tantas vezes, que ao menos por nostalgia possa me alegrar, acalentando, até que enfim, eu consiga dormir. Mas, ao invés de achar qualquer coisa do tipo, me deparo com uma espécie de cartel bíblico.

Não importa o canal, a cena é sempre a mesma: um sujeito, um livro nas mãos, um público fiel, falatórios, gravata, e charlatanismo.

O mais legal disso, é que mesmo que você não seja religioso, e que tudo aquilo que esteja sendo dito seja em sua opinião, um monte de besteiras cuspidas, ao menos as performances dos pastores lhe atraem. Ah, e como atraem!

O meu assunto favorito é o apocalipse. Sempre lembrando que meu conhecimento bíblico é extremamente superficial. Mas quem nunca ouviu falar no fim do mundo: as bestas do apocalipse, Lúcifer, e toda aquela galera malvada que vai sair da terra e puxar os de comportamento ruim pra junto deles?

No final, não é tudo tão ruim. A carga de energia que eu gasto na hora que o pastor pede para os fieis sacaram de seus bolsos talões de cheque e entregarem no altar, me faz cair no sono como se eu tivesse levado um soco daqueles bem fortes e certeiros no rosto.

07:30. Hora de acordar. Remela nos olhos, bafo desproporcional, preguiça dos diabos, e todo um roteiro a ser seguido em menos de meia-hora.

Hoje não vai dar pra tomar café em casa, tem que ser na rua, e rápido. Paro na padaria na esquina do trabalho, olho ao redor e encontro o cara mais chato da cidade: o Ítalo. – Meu Deus –, penso. – É hoje...

Vou explicar o desanimo. Com certeza alguém conhece no mínimo algum leitor de Paulo Coelho. Pois é. Mais detalhes? Tá certo. O Ítalo Gusmão é engomado; engravatado, postura em 90º, se auto-intitula erudito, e gosta muito, mas muito mesmo, de encher o saco.

De dez livros que ele me indica, nove são de autoria do Paulo Coelho, e um deles, do Augusto Cury. Eu não sei quanto a vocês, mas eu com certeza creio que essa é a receita perfeita pro suicídio.

Pra piorar, ele tem no seu quarto um quadro enorme do Tony Belotto, e a série completa do tal do Bellini, personagem-título de seus livros. Credo!


Resumindo: Ítalo Gusmão é a personificação do mau gosto, e é o tipo de pessoa que quero bem longe de mim. Além de tudo, convenhamos: puta cara chato, né ?

Consigo me desvencilhar dele, corro pro trabalho e chego atrasado.

A pergunta é inevitável: - Atrasado, de novo!?

Beleza, também é natural levar uma escroteada de vez em quando.

Começa então, uma emocionante tarde, com ações que variam de sentar na cadeira e escrever, levantar e buscar café, ir pra fora e fumar cigarros. Todos os malditos dias.

Às vezes reclamo das visitas: representantes de sindicatos de todos os tipos, associações, políticos perdedores e os de carreira. De fato, nenhum deles me empolga. Mesmas mentiras, caras e bocas, interesseiros, e sem retorno financeiro.

Mas também tem o lado hilário disso tudo. Quem tem boca fala o que quer, mas eles exageram nas doses, e os alvos somos nós, que somos praticamente obrigados a ouvir. Às vezes dou indiretas bem diretas, interrompo discursos colocando minha playlist pra tocar no volume mais alto, desvio o olhar, finjo estar longe, até que a pessoa se toque, e pare de falar.

No final do expediente, bolsa nas costas, caminho longo pra casa, a pé.

Paro na farmácia pra comprar analgésicos e relaxantes musculares. No fim do dia, já moído, é normal estar com as costas travadas. Encontro a Joana, farmacêutica, bonita e atenciosa que sempre me alerta a possíveis alterações no meu cérebro de tanto tomar remédios. Por incrível que pareça, a adoro. Uma mulher chata, que ao menos tenta me alertar sobre a minha saúde, mesmo que não tenha aprendido em quase um ano, que os alertas a esse respeito, não surtem efeitos em mim.

Ela me atrai. Mas meus pensamentos pecaminosos sempre me levam a um trágico momento de reflexão, cujo único objetivo é projetar os momentos dolorosos do pós-coito.

Fico pensando: - Malditos cientistas. Cadê a porra do tele-transporte?

Então, para evitar possíveis infortúnios, conversas esfarrapadas, e gastos desnecessários, ao invés de lhe dar uma cantada, e a convidar para ir à minha casa, dou de ombros, e saio da Farmácia. Sozinho, de novo, com muito chão pela frente, muitas idéias na cabeça, e o peso do mundo em minha consciência.

Pensar de mais é um problema pra qualquer pessoa. Todos sabem que toda a ação tem uma conseqüência, mas nem sempre elas são ruins. Pra mim, invariavelmente, mesmo descrendo da fé dos outros, e não havendo minha própria fé, acredito em algo abstrato. Aliás, duas coisas abstratas: sorte e azar. Minha explicação é razoável até certo ponto.

Coisas do cotidiano não costumam dar certo pra mim. Por exemplo: se eu perco um dos meus tênis e demoro a encontrá-lo, depois de muito tempo, quando o encontro, noto que também perdi o meu relógio.
Se chego a um restaurante com vontade de comer frango, a garçonete me avisa que infelizmente só estão servindo bife. Se eu vou ao cinema e quero ver filmes de ação, a sessão já está lotada, e a única opção é o dramalhão mexicano de diretor desconhecido.

Antes de chegar em casa, entro na tabacaria como de costume, e peço:

- Um Marlboro vermelho, por favor?

E o atendente me diz:

- Só temos Derby cinza.

Viu? Então, se alguém pergunta se eu acredito em algo, e se tenho em que me apegar, não tenho outra escolha se não responder que sou crédulo do azar.

Chego em casa, paro no portão, retiro as correspondências e voilá: contas de energia, água, banco, telefone e TV por assinatura.

Mas, não fico triste, nem com raiva, e muito menos apreensivo. Tudo se resolve, e eu já me sinto bem confortável com essas situações do dia-a-dia. De manhã cedo comprei um litro de leite para tomar a noite. E a idéia de me saciar com um copo bem gelado daquele saboroso líquido me movia feliz até entrar em casa.

Antes de abrir a porta, meu vizinho sobe o muro e diz: - Olá vizinho, faltou luz a tarde inteira, rapaz. Tá complicado aqui, só voltou agora. – puxa assunto.

Já senti que ele vai me pedir alguma coisa, afinal de contas, não tenho nenhum motivo pra conversar com ele, e ele também nenhum motivo pra me alertar sobre as coisas do dia a dia.

- Tem como me arrumar sabão em pó e um pouco de arroz pra janta? - pede.

Eu, sem muito que poder fazer, e também pra não parecer tão pão duro, lhe dou o que me pediu e finalmente posso voltar a pensar no leite:

- Ah, agora é minha vez de me divertir.

Abro a geladeira, pego a faca, corto bem devagar a embalagem do leite. Pego o meu melhor copo, e o encho até a borda.

Antes de beber, quando se aproxima da minha boca, sinto um cheiro estranho, de mofo, e penso: - Deve ser do sofá, ou das paredes da casa.

Quando engulo, sinto a fatalidade: além de o leite estar quente, por ter passado a tarde inteira no refrigerador sem energia elétrica, ele também azedou, e mofou.

Essa é minha segunda dose de realidade diária, que eu chamo de: o azar como amigo.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

CRÔNICA: Realidade

Quando eu acordo, não posso esquecer de escovar os dentes, pentear os cabelos, fazer a barba e cuspir resíduos de cigarro que fiquei pigarreando a noite inteira. Entro no box do banheiro, olho o meu pinto murcho, dou risada, acho tudo engraçado, falta tesão, falta ereção, mas não falta humor. Meia hora de água caindo na cara. A higiene aqui não conta. Na verdade, só o que conta é o prazer que eu sinto ao notar que minha mente foi pra outro lugar, bem longe, incolor, inodoro e imensurável. Quando volto, lembro que não tenho poço artesiano, e que há muito tempo pago contas exorbitantes de energia elétrica e água. Eu não sou rico, eu sou pobre, um pobre coitado, que não pode esquecer de uma outra coisa muito importante antes de sair de casa.

Ao abrir a geladeira, vejo uma cebola cortada ao meio e uma garrafa d’água já pela metade, parece gelada, mas só parece. Sinto o cheiro de queimado, olho atrás da geladeira e confirmo: queimou. Mas não ligo. É só mais um gasto, eu já estou gasto, o mundo está gasto, e o bolso está escasso. Além do mais, o cheiro me faz lembrar comida – mesmo que seja queimada –, e nada melhor que comida queimada, com um copo de pinga, com dois dedos da boa, pura e velha realidade.

Não dou importância, não sigo frases de filosofia, e não vivo um dia de cada vez. É tudo monótono, mas ao mesmo tempo tão engraçado. As pessoas riem de mim; elas dão risada porque vêem os pombos cagar na minha cabeça, ou porque os carros passam na água e me molham enquanto ando na calçada. A Polícia ri de mim; ela ri porque sou certinho, mas gravei alguns cd’s e esqueci de pagar aos autores seus devidos direitos autorais, e os deixei no carro: fui preso. As crianças riem de mim; eu sou corcunda, meu ombro esquerdo é mais abaixo do que o direito, e elas estão acostumadas com pessoas perfiladas, não só com os seus corpos, mas com as pessoas em sua volta.

As mulheres riem de mim. Minhas olheiras, falta de dinheiro, de vontade, de libido, me tiram qualquer chance de ter sucesso com elas; mas elas riem de mim, caçoam de mim, e no fundo, me adoram. Por que me adoram? Porque eu ainda perco meu tempo exaltando suas qualidades. Elas gostam disso. Mas o prazer morre na falta de dinheiro.

Não ser notado é maravilhoso. Eu gosto disso. Aliás, essa seria a idéia de vida perfeita para mim. Mas como já disse anteriormente, mesmo que com uma conotação ruim, as pessoas, a Polícia, as mulheres e crianças não me deixam em paz. Alvo. Essa é a palavra. Os outros não gostam de ver que eu ando em dissonância em relação ao mundo. Gosto de atravessar a rua devagar. Isso causa revolta nos motoristas: eles querem mostrar o quão poderosos são com suas máquinas carburadas, então eles aceleram pra ver se eu apresso o passo, mas nunca apresso. Por sorte, ainda não morri.

Eu não sei qual é a relação que tenho com o restante do mundo. Minha indiferença causa espanto nas pessoas, e esse espanto se torna raiva, ou qualquer tipo de aversão. Só sei que não gostam de mim.

Quando vou pra faculdade, muito, mas muito do mais do mesmo: os estudantes do meu curso, o Direito, a partir do 3º período, desfilam nos corredores da Universidade. Todos eles, praticamente sem exceção, andam engravatados, com seus Vade Mecum na mão, com olhar de superioridade, e esquecendo o detalhe mínimo, de que a maioria deles sequer irá finalizar o curso, e que são assim como a maioria da população mundial, grandes perdedores em potencial. Mas claro, com elegância.

Isso me remete ao processo fúnebre. Qual a motivação de enterrar alguém de terno e gravata? Pelo que me consta, ainda existe uma maioria populacional que carece de comida e vestimenta. Para manter tradições, e para respeitar o corpo desalmado – que irá apodrecer no máximo em um mês, completamente –, veste-se o morto de cima a baixo, caracterizando-o, e fazendo com que chegue aos portões do céu com boa aparência. E como seria isso? Relativo a uma entrevista de emprego? Não sei, é cada uma...

Ao voltar pra casa, o cheiro de queimado já se alastrou por todos os cômodos. Já estou sem fome. Estou gripado, meu nariz tampado, e como o paladar é feito 90% de olfato, me livro de ter que pensar no que eu poderia estar comendo, e não posso.

Aí tem a cama. E claro, o teto. O teto do meu quarto é o que tenho de mais emblemático na minha vida: ao acordar, o vejo e antes de dormir, também. Algumas coisas mudam, assim como nos seres humanos. Mas a não ser com toques de remodelagem, eles tendem a ruir, criar fissuras, e alguns casos – principalmente os mais envelhecidos – até cair.

Como penso muito nisso, os meus sonhos são feitos basicamente de metáforas análogas ao meu teto. Morro de tédio; não bebo mais. O cigarro ainda é meu amigo, mas ele também é infiel, pois me deixa só quando falta dinheiro. Penso: - Mulheres e cigarros, me deixam saciado por 10 ou 15 minutos, enjôo, mando-os embora, e menos de meia-hora, os quero de volta. Enfim, vícios inerentes à minha existência.

Fecho os olhos. Demoro muito a conseguir dormir, e enquanto isso eu penso no dia que passou, mas nunca penso no dia que vai vir. Não adianta criar conjecturas sobre o futuro. As pessoas sabem que um dia, o mundo irá acabar. Isso sim é realidade e sólido. Mas e o resto? O resto na verdade, é o espaço que é preenchido entre o início da sua vida e o fim do mundo. O engraçado disso, é que se espaço foi feito para ser preenchido, como então muitas pessoas preenchem sua vida de solidão? Não dizem que a solidão é vazia? E como é ser cheio de vazio? Taí outra coisa que não entendo.

Pra deixar a situação ainda pior, meus sonhos são assim como minha vida, muito monótonos. Não há gnomos, nem viagens astrais. Não há volta ao passado, nem a oportunidade de ser outra pessoa. Não tem prospecção ao futuro, nem auto-análises frutíferas; e são inveriavalmente escassos de entusiasmo.

No final, tudo se repete: essa é a minha dose diária de realidade.

VINICIUS CANOVA PIRES

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Estados Unidos da América contra John Lennon

Os beatlemaníacos com certeza se entristecem ao relembrar o dia 8 de dezembro de 1980. Entretanto, os que não nasceram na época, e nem contemplaram a magnitude do grupo inglês, também sentem um enorme baque. Isso porque, historicamente, os Beatles traçaram um linha imaginária na música: antes, e depois deles.

Todos com seus respectivos talentos singulares, foram durante décadas, e ainda são, os pilares de sustentação pra qualquer pessoa que tenha um bom gosto musical, e claro, paixão pela vida.

Alguns ainda atribuem o desmanche dos Beatles à entrada de Yoko Ono na vida de Lennon, fazendo-o rumar para outros campos culturais, despontando em carreira solo, e principalmente, por se envolver cada vez mais nas questões políticas do mundo. No caso, dentre todas as suas críticas, era mais enfaticamente contra a Guerra do Vietnã, cantarolando votos de paz e amor ao mundo todo.

Nesse caso eu discordo da maioria. No fim das contas, Ono completou John Lennon. Ele era a própria letra de suas músicas, ela no entanto, era todo o resto, da harmonia até a genialidade.

John Lennon bateu de frente com Nixon. O único Presidente do Estados Unidos à renunciar ao seu cargo por denúncias comprovadas que o desmoralizaram e que o marcaram historicamente como protagonista do caso Watergate.

Todavia, apesar da descoberta, e da saída estratégica de Nixon, é impossível dizer que o republicano não exercia um poder enorme sobre os Estados Unidos da América, tendo em seu percalço, somente a sombra de uma juventude que se rebelava, justamente contra a guerra. A voz que se levantava contra o sangue derramado e as milhares de vidas jogadas fora de forma desnecessária, num enfrentamento considerado por muitos historiadores, uma causa ridícula e até mesmo inexistente, era o único modo de protesto válido e eficaz.

O ex-líder dos Beatles era uma ameaça ao Governo americano, que ia perdendo o seu prestígio à medida que as pessoas paravam para ouvi-lo cantar Give Peace a Chance, e principalmente, quando as pessoas sentiam que a mensagem que a música passava, deveria ser levada no mundo todo, cantada em uníssono para que todos pudessem ouvir.

Senadores, o próprio Nixon, e até o FBI decidiram que era hora de dar fim à influência que Lennon – o pacifista –, exercia sobre os jovens norte-americanos. Essa decisão teve que ser tomada com caráter emergencial, principalmente, depois que John Lennon conseguiu libertar através de sua música, o ativista John Sinclair, que fora preso e condenado a dez anos de prisão, por portar dois baseados.

Começou assim uma batalha intensa que durou cinco anos. A imigração queria deportar John Lennon, usando o argumento pífio de que a sua vida pregressa o vinculava com narcóticos, e os Estados Unidos da América não tolerariam esse tipo de imigrante em sua própria casa.

Enfim, a guerra acabou, o filho de John Lennon e Yoko Ono nasceu, e eles gozaram – mesmo que por muito pouco tempo – o melhor que a vida tem à oferecer: paz, tranqüilidade e sucesso.

No dia em que o músico foi assassinado, as pessoas se reuniram em todo o mundo para cantar “Give Peace a Chance”, e para muitos deles, a partir dali, John Lennon havia deixado de ser única e exclusivamente um artista de sucesso, para tornar-se também um pilar da conscientização humana, sempre ponderando pontos em prol da paz, e usando de forma consciente a sua fama para dar no futuro, dias melhores para o mundo.

Vinicius Canova Pires

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Cabeça de gordo

Acho que eu nunca escrevi sobre esse tema. Não sei se inconscientemente discrimino a situação, ou se eu quis deixar pra trás essa fase da minha vida, digamos assim: nada feliz.

Em 2004, com quinze anos e estrondosos 127 quilos (é isso mesmo), tive que optar pela cirurgia bariátrica para salvar a minha pátria, e talvez a sanidade dos meus pais.

Crianças com tendências à obesidade vivem numa maratona medicinal que inclui: médicos (endocrinologistas principalmente), psicológicos, nutricionistas e demais profissionais do ramo. Não é o meu caso, mas há quem tente também evocar as forças do “além”, mas é claro, não deve dar muito certo.

Voltando ao ano de 2004: numa incursão um tanto quanto arriscada para uma “criança”, decidi firmemente fazer a cirurgia, e desde então, minha vida mudou muito, e pra melhor. Opa, melhor?

Chegamos à parte sensível deste tema: um pré-adolescente de quinze anos, com certeza ainda não passou por ¼ das experiências que a vida proporciona, tanto para o bem, quanto para o mal, por isso é imprescindível o acompanhamento psicológico (isso mesmo, de novo).

O grande problema para a maioria dos obesos, ou das pessoas acima do peso – e ascendendo –, é a tal da ansiedade em demasia. E essa ansiedade é tão prejudicial e perigosa quanto o próprio procedimento cirúrgico em si.

O estomago reduzido pela metade, ou às vezes, muito menos do que isso, não agüenta receber grandes quantidades de alimento, mas a cabeça, não lhe deixa exercer o papel de fiscalizador de suas próprias atitudes; daí o risco.

Não existem remédios, milagres ou intercessão religiosa quando não temos a capacidade de nos controlar. Por isso, Cid Penteado Jr. é meu ídolo pessoal quando o assunto é cirurgia de redução de estomago.

Cid Penteado Jr. foi minha grande inspiração: chegou a pesar 300kg, fez a cirurgia, passou por uma reestruturação na sua vida, e hoje mantém o portal http://exgordo.com.br, que foi para mim - e para tanto outros -, a enciclopédia de informações em 2004, quando fiz a opção.

“Ex gordo”, não sei se foi Cid que inventou o termo, mas ele é extremamente oportuno quando se fala de pessoas que já foram obesas e hoje, atingiram o seu peso ideal.

No seu portal, Cid tem uma explicação própria para isso, e bate diretamente com a idealização que faço sobre o mesmo tema. Não somos magros, magrinhos, buchudos, nem magérrimos. Somos Ex Gordos, o estomago é reduzido, mas a cabeça continua a mesma, os cuidados e precauções devem nos deixar antenados 24h.

“A cabeça do gordo” é e será eternamente indisciplinada. Não há métodos de controle sobre isso, e nem sequer remédios tarjados com o mais negro invólucro.

Fiz a cirurgia de redução de estomago, voltei a engordar - não tudo, é claro -, e faço um alerta a todos que acham que a vida é resolvida com golpes de bisturi e pílulas farináceas: controlem-se.

Essa postagem é em homenagem a Cid Penteado Jr., brasileiro, determinado, e que chegou aonde queria chegar: http://exgordo.com.br


terça-feira, 13 de julho de 2010

Em cima do muro

Eu sou apolítico” – essa é uma frase que costumo ouvir bastante por aí, principalmente hoje em dia, tempos em que o jovem, utilizando o advento da internet e o inconformismo causado pela puberdade, dá vazão a uma raiva inexistente e esboça o clima de “odeio a tudo e a todos”, em pleno século XXI.

Em minha opinião, essa frase nada mais expressa do que uma metáfora coloquial que deixa claro que essas pessoas não têm opinião. Existem também aquelas que têm, mas não sabem expressá-las, ou não têm coragem de defendê-las, muitas vezes, por puro comodismo.

Na política, não são raros os comentários e os posicionamentos difamatórios em relação aos políticos, eu concordo com as críticas, mas tudo tem um jeito de ser feito, ponderando opiniões, argumentando e dialogando. Eu inclusive, por diversas vezes, critiquei – claro, sem generalizar – os políticos de carreira que nada fizeram, nada fazem, e nada farão, a não ser é claro, que essa atitude ajude a engordar seus próprios bolsos.

É fato, é real, é incontestável. Mas e aí, caro leitor: ao invés de buscar soluções, pesquisar uma forma efetiva de como mudar este quadro – que pelo que me consta, ainda não é irreversível – a maioria dos apolíticos (em cima do muro) se escondem atrás de ofensivas e depredações de prédios públicos como Assembléias Legislativas, Palácios do Governo, Câmaras de Vereadores, enfim.

Esse tipo de protesto anárquico tem como principal motivação a demonstração do lado bestial do ser humano, que o faz esconder o seu lado intelectual, pensante; o único determinante para que as mudanças aconteçam.

Pela primeira vez, aos 21 (vinte e um) anos, estou escolhendo um candidato para apoiar, principalmente porque tive chance de conviver com ele durante 1 (um) ano inteiro, ponderando qualidades e defeitos. Everaldo Alves Fogaça, ou simplesmente Fogaça como é conhecido no meio da imprensa, é jornalista, empresário e bacharel em Direito, formado em Rondônia. Algumas pessoas podem desdenhar: - Grandes coisas! Claro, é normal do ser humano fazer isso. Antes as críticas, depois as apresentações.

Mas o desdém só viria das pessoas que claro, não conhecem as suas raízes, e o quanto foi preciso lutar e abdicar da vida para chegar aonde chegou. Na infância, Everaldo não tinha outra diversão, se não, o próprio trabalho.

A inquietação causada pela vida monótona e humilde em Ministro Andreazza – até então, ainda distrito da cidade de Cacoal – fez com que saísse cedo das asas dos pais e fosse se aventurar no mundo, se dedicando exclusivamente ao trabalho. Quem o conhece, sabe que ao acordar pela manhã, e até pouco antes de dormir, a preocupação em trabalhar cada vez mais, o motiva a lutar pela causa justa das pessoas menos afortunadas do Estado.

E, foi através da imprensa, pelo jornal O OBSERVADOR que Everaldo Fogaça deu os primeiros passos para tornar o Estado de Rondônia um lugar melhor, fiscalizando, denunciando e elogiando quando lhes cabiam elogios, os políticos e funcionários públicos que fizeram e fazem parte da Administração Pública de Rondônia.

Entretanto, a minha experiência pessoal me permite fazer um adendo em relação a algo que considero de suma importância: a oportunidade. Provavelmente Everaldo Fogaça nunca tenha encontrado uma porta escancarada em sua frente, e suas chances para crescer na vida dependeram unicamente do seu esforço integral, da sua força de vontade e capacidade.

Por causa dessa dificuldade que encontrou no mundo, Everaldo Fogaça desde que o conheço, recebe seja quem for de braços abertos: para ouvir, para entender, incentivar e alguns casos, até dar chances.

Esse foi o meu caso. Uma mão na frente, e outra atrás. Fogaça me recebeu assim pela primeira vez em seu escritório, na época em que eu procurava desesperadamente um emprego, uma chance, uma oportunidade única de dar seguimento ao amor que tenho por escrever. Baseado apenas em meu blog na internet, recebi de Fogaça o seu aval para começar a trabalhar no mesmo dia, e cá estou eu, um ano depois, trabalhando no que considero um grande veículo de comunicação de utilidade pública, o jornal eletrônico O OBSERVADOR.

Somando a vontade de trabalhar provada pela sua história de vida e as oportunidades que Fogaça faz questão de conceder – desta vez, comprovada pela minha história de vida –, deixo claro que nessas eleições eu não estou em cima do muro: meu voto é pelo meu amigo Everaldo Fogaça Nº 65 789.

Blog Oficial da Campanha: http://www.blogdofogaca.com.br

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Da lambança ao chiqueiro

O homem ainda é um atrativo para humanidade, mesmo que, no íntimo de cada um de nós, já se possa antever as atitudes da maioria deles em relação à “N” assuntos. Movido basicamente à libido e instintos naturais, o gênero masculino continua dando ênfase a essa previsibilidade, e cometendo ainda, os maiores absurdos da história de humanidade, mesmo com históricos que não representam bons índices de sucessos.

Mulheres. Ah... as mulheres. Por que tantos homens caem nas graças delas, fazem o que querem, lambuzam-se, servem-se, obtém o máximo de prazer, e acham que a contrapartida não existe?

O caso do goleiro Bruno é só mais um caso, entre milhares no Brasil e no mundo. A prepotência, arrogância e os instintos primitivos do homo-sapiens, fazem com que os homens esqueçam da sua função social, das leis que existem no país, e principalmente, que as mulheres hoje, já não mais dependem deles.

Eliza Samúdio, usada à vontade pelo arqueiro flamenguista, deu o troco, engravidando e criando um vínculo que perdura para a vida inteira. Ela, não mais seria “mais um caso” de Bruno, seria enfim, a mãe de um de seus filhos. Quer queira, quer não: deveria ter o mínimo de respeito.

Se foi amor, paixão e necessidade, ou mera capacidade de aproveitamento por parte de Eliza, não se sabe. Sabe-se que o enredo real trata-se de uma história de traição, de envolvimento, e agora provavelmente, de morte.



Na comprovação da culpa de Bruno, haveria uma explicação: a palavra pensão para um homem despreparado e afim apenas de um festejo momentâneo, seria como citar Adolf Hitler aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Estragar um relacionamento estável, uma carreira promissora e uma imagem de respeitabilidade perante a sociedade causou em Bruno o furor; a necessidade de evitar que esses pensamentos desagradáveis se tornassem realidade.

Não é o primeiro, e nem será o último caso em que um homem tentando conter danos, acaba fazendo dez vezes pior. Principalmente porque é nessa hora que as coisas tendem a ruir. Quando ele dispensa ajuda de qualquer pessoa, ficando à mercê de uma responsabilidade enorme, cujo conhecimento prévio deveria ser administrado de forma eficaz, evitando assim, a tragédia que provavelmente será anunciada nas próximas semanas.

Se ele matou ou não, não sabemos. O que sabemos é que o cerco está fechando, e o caso ainda será resolvido provavelmente logo.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Linhas sutis que nos definem

Inúmeras foram às vezes que declarei neste espaço a minha aversão à auto-ajuda. Vou me contradizer hoje, e tentar esboçar algumas coisas referentes ao humor, que é o que dá vazão a centenas de pensamentos desagradáveis, ou soberbos, oportunos e inoportunos, que podem influenciar das mais diversas formas em nossas vidas.

Descarto a pecha de pseudo-psicólogo, uma vez que não tenho a pretensão de analisar ninguém, muito menos tentar apontar um caminho para as pessoas que ainda não encontraram nenhum.

A verdade é que, mais cedo ou mais tarde, as pessoas que possuem autocrítica e sensibilidade, conhecimento e compreensão, irão se questionar em algum momento da vida: - Que diabos eu faço agora?

As opções parecem diversas, o curto tempo de escolha, e a pressão aumentam a cada minuto, fazendo com que planejamentos, objetivos, sonhos e divagações se resumam a uma perspectiva torpe de fracasso.

Lampejos de uma vida boa tomam sua cabeça, dando a impressão de uma realidade cada vez mais distante, e dando espaço ao que você definirá como mundo real, mas que, na verdade, não passa de reflexo de uma vida pautada em desventuras, irrealidades, e insatisfação. Neste momento, você aceitou o fim, se resignou ao padrão, buscou baixo e deixou de arriscar.

A linha sutil entre o fundo do poço e uma reviravolta, é a sutileza que existe nas suas relações diárias. Amigos, família, colegas, ou qualquer pessoa que lhe estimule com um sorriso; um aceno positivo.

A cabeça erguida nem sempre é sinônimo de desdém, às vezes, a visão panorâmica proporcionada por essa posição, é a imagem literal e eficaz de uma vida nova.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Em rede nacional, Eduardo Valverde cai em pegadinha do programa CQC e dá parecer favorável à inclusão de cachaça em cesta-básica

Não é novidade que muitos de nossos deputados não sabem o que estão assinando, ou sequer sabem abordar assuntos aos quais deveriam no mínimo ter conhecimento básico. Até aí tudo bem, afinal de contas, nem todos sabem de tudo, e é difícil estar a par de toda a matéria que tramita na Câmara Federal, apesar de ser o papel deles. Mas, em campo desta vez, está o pré-candidato ao Governo do Estado, o deputado federal pestista Eduardo Valverde.

O programa CQC – Custe o que Custar –, exibido nacionalmente através da rede Bandeirantes, ao realizar uma matéria com a repórter Mônica Iozzi, resolveu aplicar uma ‘pegadinha’ nos deputados que perambulam os corredores do Congresso Nacional. A tal brincadeira consistia em testar os deputados, para ver se eles afinal de contas, sabem ou não sabem o que estão assinando.

Através de uma petição assinada a pedido da produção do programa, os deputados que caíram no trocadilho deram sinal verde à inclusão de uma garrafa de cachaça ao Bolsa-Família.

Questionado pela repórter, Eduardo Valverde não soube dizer que item adicionou a cesta básica do bolsa-família, e ao descobrir, se limitou a dizer:

“ – Aí você está sendo preconceituosa em relação ao trabalhador que precisa de cachaça.” – finalizou.

Mas, não foi só Valverde que caiu na pegadinha, e para todos os efeitos, foi o mais receptível a brincadeira. Praticamente todos os deputados não sabiam responder o que haviam rubricado, alguns se estressaram, sendo que um deles, o deputado federal Nelson Trad (PMDB/MS) agrediu a equipe do programa na última quarta-feira, dia 9.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Páreo duro!

Sinceramente, 2010 é o ano da incógnita. E é por isso, que o torna tão interessante do ponto de vista político, por exemplo. Sem esquecer que esse ano também tem a Copa do Mundo na África do Sul, que também, temos de convir, que não dá pra especular praticamente nada.

As raposas velhas da política têm caminho certo a trilhar, já os aspirantes seja porque são novatos, seja porque querem outro cargo político, são obrigados a reestruturar seus planos de campanha, ou pré-campanha, se assim deseja ler o Judiciário.


Mas a grande verdade, é que o ano de 2010, principalmente em outubro, aguarda ainda muitas surpresas. Expedito Júnior se mostra muito forte, não só na Capital, mas no interior também. Além da militância do PSDB, que além de pomposa é muito forte e trabalhadora, o próprio carisma e o trabalho exercido por Júnior enquanto Senador já o fortalece de todos os lados.


Confúcio Moura, de todos os pré-candidatos ao Governo, tem um lastro político respeitável e muita gente o considerado muito bem preparado para o posto que almeja. Para constatar isso, basta fazer uma visita a Ariquemes e perguntar para qualquer cidadão, o que era o Município antes de sua administração.


João Cahulla, o atual governador, vem com um cabo eleitoral de luxo, o ex-governador Ivo Cassol, que vai percorrer o Estado falando na dobradinha e pedindo votos para ambos. Cahulla, em seu primeiro cargo de comando, reúne em torno de si uma dezena de partidos e quer chegar lá.


Agora temos o PT, que surpreende em grandes escaladas, e em todos os rincões do país. Se o candidato não apraz a opinião pública, o partido ainda tem destaque entre a classe baixa do país. O Prefeito de Porto Velho, por exemplo, carinhosamente apelidado pela mídia de ‘Candidato Anônimo’, antes de ser eleito em sua primeira candidatura, mostrou que do anonimato à Prefeitura, bastava uma visita do Presidente Lula. Esse quesito ainda é poderoso, a imagem de Lula ainda pode escancarar portas para Eduardo Valverde.


E há ainda a incógnita chamada Acir Gurgacz, hoje senador, um poderoso empresário que certamente quer entrar na briga com toda a estrutura empresarial que o cerca e buscar o poder em Rondônia.


No mais, essa incógnita continua sendo difícil de resolver: são pré-candidatos de peso, andando pelo Estado de Rondônia inteiro, e com uma missão em comum. Se existe alguma vantagem, ela deve ser atribuída aos que já fizeram alguma coisa pelo Estado, nada a ser citado em especial, afinal de contas, o eleitor já está careca de saber quem faz, e quem não faz. Páreo duro!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A volta do homem de Neandertal

Com a frase “O crack destrói o Homo sapiens”, o psiquiatra Eduardo Kalina, 71 anos, e um dos vários médicos que ajudaram a tratar o problema de Maradona com as drogas, em entrevista ao jornal gaúcho Zero Hera, define bem o que acontece com o ser humano que enverga para o lado dos entorpecentes.

O termo “resguardadas as devidas proporções” não existe para Kalina, sabe que todo ser humano reage de diferentes formas às variadas reações das drogas, e é defensor do que pra ele já é mais do que uma teoria, é lei: - A única cura para o usuário de drogas hoje, é abdicação total da droga e dos fios condutores tal como: álcool e cigarros.


O psiquiatra defende também a postura dos pais perante os filhos, deixa claro que a postura exercida no dia-a-dia influi diretamente no comportamento de um jovem, principalmente em relação aos pais, que são na verdade, espelhos do que os seus filhos gostariam de ser. Mas deixa claro: “Um pai que toma um copo de vinho no jantar não está criando um filho toxicômano. Porém, um pai que está todo dia fumando e que bebe muito por qualquer explicação não pode dizer ao filho que não consuma, porque ele está consumindo”.


Mas, o mais importante em relação às drogas, Eduardo Kalina faz questão de deixar claro: a ingestão diária de entorpecentes como cocaína e crack resultam em danos às vezes irreversíveis numa área do cérebro que é definida como cérebro frontal. Kalina explica: “ - Quando esses meninos têm danos importantes no cérebro frontal, eles deixam de funcionar como pessoas, são como macacos. Nós tratamos com medicamentos e fazemos trabalhos cognitivos para fazer a região voltar a funcionar. Quando ela é atrofiada, a pessoa vira um gorila. Você precisa da parte frontal para pensar em Deus, ter espiritualidade, crenças, filosofia, ver o sentido da vida. Os meninos que ficam com dano nessa zona, a maioria dos que entram em crack e cocaína, viram animais. Eles matam porque gostam de um tênis que a pessoa usava. Pegam o tênis e vão embora, não importa se mataram uma pessoa que tem família, não importa nada”.


Entretanto, mesmo na detecção de tais problemas, é importante lembrar o descaso das autoridades políticas brasileiras, que ao não se importarem com o que vem acontecendo, e fechando os olhos para as crianças que estão nas ruas se prostituindo, matando e roubando para se saciar com as drogas, estão corroborando com um futuro próximo onde só o que se verá, é a deterioração da raça humana. Já estamos vendo, já sentimos, e não fazemos nada. Mais uma vez, perdemos tempo e dinheiro com coisas banais, enquanto os responsáveis utilizam de subterfúgios teóricos para não intercederem.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Aos fãs de Coldplay,

A era moderna implicou numa nova tendência. Os jovens e seu arsenal de coisas novas, o mundo novo, o patamar acima do subsolo onde todos nós – os seres humanos em desvantagem – vivemos, está infestado de modernismo.

O choroso canto composto de arranjos feitos especialmente para vomitar lamúrias, está acabando com o que há de melhor nas pessoas. Reclamar é vital; melhor ainda, é visceral. Mas o chororô copioso, odioso, e desesperado já está deixando o subsolo revirado, a ponto de causar em breve, um movimento brusco de placas tectônicas e dilacerar as ruas do mundo todo.

“Todo mundo tem que reclamar”, satirizava Raul Seixas, todo mundo agora, tem que andar cabisbaixo, tem que proclamar: eu sou um perdedor. Sim, invariavelmente, todos os fãs de Coldplay são assim. Mas, ainda assim, devo tirar meu chapéu, porque ao ser a melhor banda entre as piores, já deveria ser algo majestoso.

R$ 300,00 para ouvir cover de Joe Satriani? Eu prefiro comprar uma caixa de DVD do Gênero Pornô Bizarro, a trilha sonora do bate-estaca sincronizada ao som das “bombadas” ainda é melhor do que isso.

Se a imprensa brasileira e os cientistas políticos gostam de falar por aí que só o brasileiro é burro e não sabe eleger seus representantes, o resto do mundo pode ser considerado ainda pior – leia-se: apadeutas.

Ao receber sete prêmios no Grammy Awards nas categorias: Melhor Álbum de Música Alternativa (2002), com o albúm Parachutes; Melhor Performance em Duo ou Grupo com Vocal (2003), pela música In My Place; Melhor Álbum de Música Alternativa (2003), pelo álbum A Rush of Blood to the Head; Gravação do Ano (2004), pela música Clocks; Canção do ano (2007), com a música Viva la Vida; Melhor Pop Performance Vocal em Duo ou Grupo (2007), pela mesma música e Melhor Álbum de Rock (2009), por Viva la Vida or Death and All His Friends, o mundo atesta seu certificado de ignorância, porque é pelo gosto musical – e não duvidem – que conhecemos as pessoas.

Viva La vida, asnos!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Leigo ou não, não tem perdão

Confesso que não sou um dos maiores entendedores de futebol no Brasil. Não só não jogo, como também, nunca usei meu tempo para aprimorar meus conhecimentos sobre. Na verdade, o que sei é simples: são onze jogadores de cada lado, fazendo a alegria de toda uma nação. É isso que eu observava nas copas de 2002 (13 anos), 1998 (09 anos), e 1994 (05 anos, ano em que comecei a me entender por gente).

O Brasil pára. As pessoas desatinam a correr buscando a televisão mais próxima. Para os boêmios, o barzinho é a melhor escolha. Já para os pais de família, estar ao lado dos filhos e da esposa; ou seja lá quem for, é também muito satisfatório. Agora, sinceramente, quando observei o último amistoso da seleção brasileira contra a Irlanda, não sei se fui só eu no Brasil todo que sentiu, mas não consegui ficar entusiasmado com partida. Às vésperas da Copa, todo jogo anunciado se desenha como mais um longo e tedioso ensaio ao que veremos.

O feijão-com-arroz proporcionado por Dunga, é o suficiente para manter um bom ritmo de jogo. Não há grandes craques. Não há o jeito incisivo de Ronaldo, as firulas de Ronaldinho Gaúcho, a bomba de Roberto Carlos, a objetividade de Rivaldo, enfim. Nenhum dos jogadores convocados por Dunga é capaz de despertar nem sequer curiosidade, muito menos aquela velha ânsia de acordar de madrugada no dia do próximo jogo.

Repito: se tratando de futebol, sou basicamente um asno. Mas assim como todo mundo, eu sei o que é um espetáculo, e com certeza, o que eu e toda a população brasileira temos visto, é um time meia-boca e disposto a jogar para ganhar todos os jogos de 1x0, se assim tiver que ser.

A voz do povo também não tem vez na seleção de Dunga. Ronaldinho Gaúcho está fora, Ronaldo Fenômeno também. Por mais que não sejam os mesmos de oito anos atrás, ainda proporcionam um espetáculo à parte quando entram em campo. Nossa confiança e entusiasmo eles têm de sobra. Agora, na minha concepção, Dunga será eternamente um personagem tímido de histórias infantis.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Irresponsabilidades à parte

Que o brasileiro tem o velho e bom costume de tripudiar em cima da própria vida, todo mundo já sabe. O problema é quando essa irresponsabilidade toma proporções gigantescas, e acaba atingindo outras pessoas. Principalmente aqueles que ainda sequer têm o discernimento para compreender certas situações.

O problema com os banhos já é antigo. Não só em questões de afogamentos, a mistura fatal de bebedeiras e jet skis, mas também da falta de atenção em relação a algo muito simples: estamos em meio a selva amazônica. Vivendo entre cobras, jacarés ou se preferir, Wallygators. A tragédia em Guajará Mirim, onde um Jacaré de quase 5 metros devorou uma criança de 11 (onze) anos pode não ser a primeira, e talvez nem a última.

Se não podemos lutar contra o ecossistema (e nem devemos), o que podemos fazer? Não é possível criar uma área de recreação com parâmetros de habitat natural sem que as pessoas precisem literalmente morrer? Com o mínimo de segurança, pessoas treinadas para realizar salvamentos em caso de afogamento, sem a presença da fauna amazônica com fome e com certeza não importe se as pessoas são responsáveis ou não? Claro que é possível.

As pessoas precisam justamente parar de pensarem que nada de ruim ira acontecer com elas, justamente porque só acontece com os outros. Todos estão passíveis à este tipo de acontecimento se fecharem pra sempre os olhos. Se até Steve Irwin, o famoso naturalista australiano especialista em animais selvagens, se encontrou com a morte após levar uma ferroada de arraia, porque não nós meros mortais que nada sabemos nem do trato mínimo com bichos domésticos? Complicado.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Blackout, filas e prisões

1º - Não dá pra entender! São 05 (cinco) dias úteis na semana e, em todos eles eu costumo sair de casa às 7:30h no máximo e retorno por volta das 18 ou 19h. Os transformadores e a rede elétrica que fornece eletricidade ao bairro São João Bosco – bairro em que resido, fazem questão de não estourarem nesse meio tempo. Chega sábado e domingo, vuolá! Bummm! O mesmo transformador, o mesmo problema, o mesmo remendo mal feito (oriundo do trabalho das empresas terceirizadas que prestam serviços à CERON (Centrais Elétricas de Rondônia). Ou seja, além do azar – já que é sempre nos arredores de onde eu moro, há ainda, total má vontade por parte das pessoas responsáveis em resolver o problema.

Nós cidadão comuns, que suamos para pagar dívidas, impostos, e que mal usufruímos dos supérfluos podemos contestar sim, e devemos.

2º - Outro problema que já não é obra do azar, é a espera nas filas dos Bancos em Rondônia. Provavelmente é assim no Brasil todo, ou na maior parte dele. Mas, aqui em Porto Velho vemos que não há comprometimento algum por parte dos funcionários dos bancos para nos fornecer o mínimo de conforto, enquanto a espera maçante acaba com o resto do nosso dia, e do nosso bom humor – se é que ainda resta humor, creio eu, que apenas a perspectiva de ter que ir até o banco, já acaba com qualquer um.

Sabemos que todos os bancos, de acordo com suas arrecadações até bilionárias, podem sim oferecer melhor estrutura física e colocar mais gente para atender, é pura falta de bom senso e respeito.

3º Quero me retratar neste tópico aqui. Por muitas vezes eu critiquei e ainda irei criticar muito as leis, também costumo criticar o sistema prisional e a própria polícia e sua eficiência. Mas hoje o dia é de congratulações. Além de recebermos diariamente vários boletins da Polícia Militar e Federal denotando toda sua eficiência na capital e em todo interior do Estado, devemos celebrar a Operação Camaleão. Foram 42 delegados de Polícia, um efetivo com cerca de 200 policiais (entre civis e militares) que cumpriram 34 mandados de busca domiciliar e 25 mandados de prisão temporária contra funcionários públicos e policiais civis e militares que compõem uma rede de estelionato (a informação é do rondoniaovivo).

Até o momento em que escrevo este texto, já foram efetuadas 19 prisões que envolveram funcionários do Detran, Correios, Policiais Militares e Civis. Então, parabéns ao corpo profissional que participou desta operação. São casos assim que lavam a alma dos brasileiros, e ainda ajudam a fazer com que acreditem um pouco mais no futuro, nas leis, e na ordem.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Entre terremotos, enchentes e a censura ditatorial, fico com a parcimônia brasileira

Planejar viagens com certeza não é o meu forte. No final do ano – época de férias, eu vou pra aonde o dinheiro me permite ir, e para aonde a vontade indica. Nem sempre é um lugar distante de Porto Velho. Minha última aventura, por exemplo, foi a 477 km de Porto Velho, mais precisamente o município de Cacoal.

Nada muito confortável ou diferente; mas de qualquer forma, também não foi nada trágico. Antes do terremoto no Haiti, das enchentes do Peru, só não antes do Chaves na Venezuela, eu e alguns amigos pretendíamos viajar para as Ilhas Margaritas, nadar no mar do caribe, e depois conhecer Macchu Picchu.

A segunda idéia já está descartada, já que o período válido para ir é exatamente quando o pau d’água começa por lá. A idéia de ficar ilhado esperando resgate não é de todo ruim, adiar o retorno, faltar trabalho, mesmo que passando dificuldades é bem coisa de brasileiro, e eu me encaixo perfeitamente.

Na Venezuela precisamos entrar mudos e sair calados, sob pena de sermos enxotados, espancados, mortos ou até mesmo cancelados pela ditadura Chavista. Eu não tenho nada contra o Chaves além do que todo resto do mundo têm.

Eu tenho mais raiva do meu representante cujo apelido é a denominação popular de um molusco. Além de compactuar com Chaves, botar panos quentes no que vêm acontecendo e andar de mãos dadas por colheitas usando chapéu de agricultor ao lado de um facínora sorridente, não faz a mínima diferença para ele se isso acabar por nos atingir, remontando épocas negras que já açoitaram o povo brasileiro.

Por isso, no final das contas, entre tragédias naturais e cala-bocas ditatoriais, eu prefiro a parcimônia brasileira. Já que admitimos e aceitamos por nos resignar, por que então alardear o inevitável? O que podemos fazer é ficarmos longe dos problemas que cercam outros países, outras pessoas, outras culturas, enfim. Nós não temos nada que ver com isso, não é mesmo amigo (a) brasileiro (a)? Aqui não é muito diferente. Nossos terremotos e enchentes são diários. As casas caem no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Os prefeitos viajam de helicóptero para dar entrevistas nos locais das tragédias. E o que se faz? Absolutamente nada. A imprensa quando manifesta apoio ao Governo Lula está representando bem o seu papel, segundo ele próprio. Quando critica, está usando seu poder para denegrir sua imagem.

Será que o incômodo casual de nosso presidente representa a infecção do nosso país pelos novos ditadores da América Latina, que fizeram intensivão com Fidel e cia? Veremos, muitas águas vão rolas, muitas casas vão cair, e chãos irão se abrir até vermos em que vão o nosso próprio país irá cair. É só uma questão de tempo.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O Brasil também é o país dos trogloditas

Se existe algo de repulsivo no ser humano, e principalmente no homem, é a covardia. Mas, atitude mais covarde do que se esconder atrás dos próprios impulsos, é dar vazão a eles, e colocar em prática os seus ímpetos desumanos.

Estes homens covardes gostam de açoitar mulheres; de espancá-las e maltratá-las. E o que mais deixa o povo perplexo é a falta de vigilância em relação a um problema que há muito já pode ser considerado epidêmico.

“A mão que afaga é a mesma que apedreja”, não se pode traduzir Augusto dos Anjos literalmente, mas se há um significado objetivo para contextualizar tal situação, pode-se contar com a frase embutida no poema “Versos Íntimos” do escritor paraibano.

A desculpa para matar e para viver? O amor. Se já não é o bastante o perigo que representa um ex-marido ciumento e alucinado – principalmente se este nunca aceitou o fim do relacionamento –, o que não representaria um pedido da vítima para sua própria proteção? Se a polícia é acionada, afasta o sujeito momentaneamente, mas basta a viatura policial virar a esquina, e lá esta o meliante novamente, armando o próximo ataque, mancomunando sua covardia.

Lembro que uma das primeiras matérias que escrevi trabalhando no O OBSERVADOR foi pautada em casos de violência doméstica contra as mulheres. Em julho de 2009, entrevistei a delegada titular da Delegacia Especializada em Defesa da Mulher e Família, Edna Mara que em dados superficiais, disse que são no mínimo 06 (seis) mulheres agredidas por dia só na capital.

Na época, a delegada já afirmava:

“- A porta de entrada da violência é a delegacia. E, é apenas o começo. O agressor continua sendo agressor, e a vítima continua sendo vítima. Cada um com suas características. O que precisa ser feito é um tratamento nesses agressores, algo como uma própria reabilitação para que possam conviver novamente com outras mulheres. Existem casos em que o homem comete o mesmo delito, mas a vítima é diferente”.

Ou seja, a recuperação tanto do agressor, quanto da vítima, deveria passar por uma série de tratamentos. Uma verdadeira reciclagem, mas isso é utopia, quando se pensa que nem o que deveria ser feito preliminarmente, por exemplo: o simples cumprimento de uma ordem judicial é efetivado.

Não há interesse político e nem social de fazer com que as determinações da justiça sejam cumpridas. Se há separação de corpos, não há quem fiscalize que ele seja sumariamente respeitado. Afinal de contas, despacho em papel não tem olhos, nem braços, nem armas, e por isso é desdenhado.

Apenas aquele clamor passageiro, a ladainha de sempre que se fala quando acontece uma tragédia de grandes proporções. Mas nós temos memória fraca, assim como vamos esquecer do Haiti em breve, como esquecemos do Collor, da Isabella Nardoni, do João Hélio, e de tantos outros casos que de supetão nos interessam e logo mais perdem o glamour "midiático" e evaporaram no esquecimento.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Um humilde pedido para quem já sofreu tanto

“ – Parece que da balsa pra cá, simplesmente não existe”. A frase é do empresário e ex-deputado estadual pelo Acre, Valdomiro Sóstenes, ao falar sobre a energia elétrica que não chega onde e como deveria chegar. Mas, para falar a verdade essa é só uma das mais de mil situações em que a população da Ponta do Abunã precisou aprender a conviver para levar uma vida relativamente normal.

Para se ter idéia do que os moradores da região passam, não adianta ler jornais, ouvir nas rádios ou ver na televisão. É preciso ir para lá, e estar frente-a-frente com os personagens que ajudaram a desenvolver cada centímetro dos distritos que formam a Ponta do Abunã.

Existe unanimidade no depoimento de praticamente todo cidadão entrevistado, seja ele empresário, trabalhador braçal, ou dona de casa: É difícil o acesso a bancos, correios, falta distribuição de energia elétrica, torre de celular e o puro e simples esquecimento das autoridades públicas já fazem jus à movimentação e a determinação das pessoas que lutam pelo “SIM”.

Como negar um pedido de um povo fadado ao esquecimento? Andar mais de 300 km para resolver problemas burocráticos duas vezes por semana além de um desgaste físico tremendo, somam-se todos os riscos que acarretam a travessia via BR-364, e o povo deixa de ganhar dinheiro. Segundo André Aparecido dos Santos – sócio da madeireira Abunã Madeiras, uma ida ao centro de Porto Velho representa três dias de trabalho perdidos, e um gasto de no mínimo R$ 500,00 por pessoa.

Outro personagem interessante é o Zé Gaúcho. Ele é morador de Extrema, mas peregrina durante quase 24 horas a Ponta do Abunã inteira tentando convencer a população a votar no 55 e confirmar, representando assim, uma vontade que pode até ser da maioria, mas ninguém ainda fez esforço que representasse tal querer.

O plebiscito acontecerá no dia 28 de Fevereiro, e todos os portovelhenses deverão votar pelo mérito. Lembrando que pela última vez, um distrito poderá se emancipar através de plebiscito, já que o objeto já tramita há muito tempo.

É a chance que a população de Fortaleza do Abunã, Vista Alegre, Extrema e Nova Califórnia terá de se tornar independente, de produzir e compartilhar, de ter chances de evoluir. É uma condição que todos nós deveríamos ter, e os que têm deveriam se compadecer e levar esse tipo de informação adiante.

Eu voto “SIM”, o povo sofrido e trabalhador da Ponta do Abunã merece ter perto de suas casas tudo aquilo que nós podemos desfrutar. Se não podemos tentar melhorar o mundo sem sermos convocados, eu espero sinceramente que cada um contribua com isso em sua pequena parcela de obrigação.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Incapaz?

“Eu não posso”, “eu não consigo”, “eu já perdi”, “não me resta mais o que fazer”, entre outras frases célebres entre os declarados perdedores, ecoam na cabeça das pessoas que enfrentam suas primeiras dificuldades e fraquejam. Eu não gosto de qualquer tipo de texto de auto-ajuda, acho que eles vão completamente na contra-mão da funcionalidade; todavia, existe uma história real em particular que vale a pena ser contada exatamente para uma finalidade motivadora.

Le Scaphandre et le Papillon (O escafandro e a borboleta) filme europeu dirigido por Julian Schabel e com roteiro baseado no livro de Jean-Dominique Bauby – editor da revista francesa Elle – e protagonista do filme, tira a idealização da “pena de si mesmo”.

Aos 43 anos Jean-Do (como é chamado pelos amigos mais próximos) sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) enquanto andava de carro com seu filho, ficando em coma por aproximadamente vinte dias. Ao acordar, a junta de médicos designada para cuidar de seu caso, constata que ele está em uma condição de enfermidade rara: a síndrome do locked-in.

A síndrome de Locked-in faz com que os pacientes permaneçam cientes e despertos, mas incapazes de se mover ou de se comunicar dada a paralisia que atinge praticamente todos os músculos voluntários do corpo. Esta condição é resultado de uma lesão no tronco cerebral na qual a parte ventral da ponte é danificada. A síndrome de Locked-in é descrita como "a coisa mais próxima de ser enterrado vivo".

Mesmo assim, com a ajuda de seus médicos que utilizaram uma técnica de comunicação até então nova, Jean-Dominique começou a se comunicar piscando uma vez para toda letra que quisesse usar e que fosse pronunciada pelo seu interlocutor, formando frases e fazendo com que Jean, dez dias antes de sua morte, visse a capa de seu livro pronto, conquistado com muito suor e descrevendo não só o sofrimento, mas a beleza de poder usar a extensão máxima de sua imaginação.

E aí, será mesmo que você não consegue nada? Será que é impossível ir mais a frente? Não se sabe o quão bem se está, até estarmos nestas condições limitadas, mas ainda sim, podemos concebê-las ao ler, ver e ouvir relatos como estes. Você realmente é incapaz?

Vinicius Canova Pires
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